IPCA desacelera para 0,16% em junho com queda dos alimentos e combustíveis; inflação em 12 meses recua para 4,64%
Redução nos preços de alimentos e combustíveis ajudou a conter a inflação em junho, enquanto energia elétrica e passagens aéreas pressionaram o índice oficial medido pelo IBGE.
Publicado em: 10/07/2026 às 11:17hs
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,16% em junho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração significativa em relação aos 0,58% registrados em maio, reduzindo a pressão inflacionária sobre consumidores e agentes econômicos.
Com o resultado, a inflação acumulada em 2026 chegou a 3,36%, enquanto o índice acumulado em 12 meses recuou para 4,64%, abaixo dos 4,72% registrados no levantamento anterior.
Alimentos e bebidas registram queda e aliviam o custo de vida
O principal fator de alívio da inflação em junho veio do grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou queda de 0,24%, exercendo o maior impacto negativo sobre o índice geral (-0,05 ponto percentual).
A redução interrompe a forte alta observada em maio e reflete principalmente a queda dos preços da alimentação consumida dentro de casa.
Entre os produtos que mais contribuíram para esse movimento destacam-se:
- café moído: -3,72%
- frutas: -1,58%
- carnes: -0,64%
Por outro lado, alguns alimentos seguiram pressionando os preços, especialmente:
- feijão-carioca: +8,31%
- batata-inglesa: +3,57%
A alimentação fora do domicílio também mostrou desaceleração. O avanço dos preços caiu de 0,49% em maio para 0,15% em junho, tanto para refeições quanto para lanches, indicando menor pressão sobre bares, restaurantes e serviços de alimentação.
Para o agronegócio, o comportamento dos alimentos reforça o impacto da maior oferta de diversos produtos agrícolas e pecuários sobre os preços ao consumidor, ao mesmo tempo em que reduz a inflação dos alimentos no país.
Transportes têm alta moderada, mas combustíveis ficam mais baratos
O grupo Transportes avançou 0,17% em junho. Apesar da alta das passagens aéreas, a queda dos combustíveis ajudou a limitar um avanço maior da inflação.
Entre os combustíveis pesquisados, todos registraram redução de preços:
- etanol: -3,09%
- óleo diesel: -1,19%
- gasolina: -0,12%
- gás veicular: -0,19%
A redução dos combustíveis representa um fator importante para o agronegócio, uma vez que influencia diretamente os custos logísticos do transporte de grãos, carnes, fertilizantes e demais insumos ao longo das cadeias produtivas.
Em contrapartida, as passagens aéreas dispararam 7,12%, tornando-se um dos principais fatores de pressão dentro do grupo Transportes.
Também houve reajustes em tarifas de ônibus urbanos, ônibus intermunicipais e metrô em algumas capitais, refletindo mudanças tarifárias e alterações em políticas de gratuidade aos domingos e feriados.
Energia elétrica continua pressionando a inflação
Mesmo com desaceleração em relação a maio, o grupo Habitação voltou a liderar os impactos sobre o IPCA, registrando alta de 0,63%.
O principal destaque foi a energia elétrica residencial, que subiu 1,53% e respondeu pelo maior impacto individual do mês.
O aumento reflete a permanência da bandeira tarifária amarela, além dos reajustes autorizados para distribuidoras em cidades como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Também influenciaram o grupo Habitação os reajustes nas tarifas de água e esgoto em algumas capitais brasileiras.
Serviços seguem pressionando parte da inflação
Entre os serviços, o grupo Despesas Pessoais registrou alta de 0,25%, impulsionado principalmente pelos reajustes de empregados domésticos e serviços de cabeleireiros e barbeiros.
Na categoria Saúde e Cuidados Pessoais, a alta foi de 0,23%, refletindo principalmente o reajuste autorizado para planos de saúde e o aumento nos preços de artigos de higiene pessoal.
Inflação apresenta comportamento mais equilibrado
Os dados de junho mostram um cenário de inflação mais moderada, sustentado principalmente pela queda dos preços dos alimentos e dos combustíveis, fatores que compensaram parte das pressões vindas da energia elétrica e das passagens aéreas.
Regionalmente, a maior inflação foi registrada em Brasília (0,52%), influenciada pelas altas das passagens aéreas e da gasolina. Já Recife (-0,04%) apresentou a menor variação do país, beneficiada pela forte queda dos preços do tomate e da gasolina.
Para o setor agropecuário, o comportamento do IPCA reforça a importância da dinâmica dos preços agrícolas na composição da inflação brasileira, além de evidenciar como a redução dos combustíveis contribui para aliviar custos logísticos em toda a cadeia do agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
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