Mercado Financeiro

IPCA-15 desacelera para 0,44% em março, com pressão de alimentos e passagens aéreas

Inflação perde força no mês, mas alta em alimentação, transportes e itens ligados ao agro mantém impacto no custo de vida


Publicado em: 26/03/2026 às 11:15hs

IPCA-15 desacelera para 0,44% em março, com pressão de alimentos e passagens aéreas
Inflação desacelera em março, mas segue disseminada

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,44% em março, segundo dados oficiais, ficando 0,40 ponto percentual abaixo da taxa observada em fevereiro (0,84%).

No acumulado de 12 meses, o índice soma 3,90%, abaixo dos 4,10% registrados anteriormente. Já o IPCA-E, indicador trimestral, ficou em 1,49%, também inferior ao mesmo período de 2025.

Apesar da desaceleração, todos os nove grupos pesquisados apresentaram alta, indicando que a inflação segue espalhada entre diferentes setores da economia.

Alimentação e bebidas lideram inflação e refletem pressão do agro

O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pelo resultado do mês, com alta de 0,88% e impacto de 0,19 ponto percentual no índice geral.

A alimentação no domicílio acelerou fortemente, passando de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março, refletindo principalmente o comportamento de produtos ligados à agropecuária. Entre os destaques de alta estão:

  • Açaí: +29,95%
  • Feijão-carioca: +19,69%
  • Ovo de galinha: +7,54%
  • Leite longa vida: +4,46%
  • Carnes: +1,45%

Por outro lado, alguns itens apresentaram queda, como:

  • Café moído: -1,76%
  • Frutas: -1,31%

A alimentação fora do domicílio desacelerou para 0,35%, com recuo no preço das refeições e aceleração nos lanches.

O desempenho do grupo evidencia o impacto direto da cadeia agropecuária sobre a inflação, com variações influenciadas por clima, oferta e custos de produção.

Transportes têm impacto com passagens aéreas e tarifas

O grupo Transportes registrou alta de 0,21%, com destaque para as passagens aéreas, que subiram 5,94% e tiveram o maior impacto individual no índice do mês (0,05 p.p.).

Outros destaques incluem:

  • Ônibus intermunicipal: +1,29%
  • Táxi: +0,56%

Já o transporte urbano apresentou queda de -0,59%, influenciado por políticas de redução tarifária em diversas capitais, especialmente aos domingos e feriados.

Nos combustíveis, houve leve recuo de -0,03%, com queda nos preços do etanol, gasolina e gás veicular, enquanto o óleo diesel subiu 3,77%, fator relevante para custos logísticos e do agronegócio.

Despesas pessoais e saúde também pressionam índice

O grupo Despesas pessoais avançou 0,82%, impulsionado principalmente pelos custos com serviços bancários e empregado doméstico.

Já Saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,36%, com aumento nos preços de planos de saúde e itens de higiene pessoal.

Habitação registra leve aceleração

O grupo Habitação subiu 0,24%, acelerando em relação ao mês anterior. O resultado foi influenciado principalmente pela energia elétrica residencial, com reajustes em concessionárias do Rio de Janeiro.

A tarifa de água e esgoto também apresentou alta, refletindo reajustes em cidades como Belo Horizonte e Porto Alegre. Por outro lado, o gás encanado registrou queda em algumas regiões.

Variação regional: Recife lidera altas, Curitiba registra queda

Entre as regiões pesquisadas, dez das onze apresentaram inflação em março.

  • Maior alta: Recife (0,82%), puxada pelo aumento do tomate e da gasolina
  • Menor resultado: Curitiba (-0,06%), influenciada pela queda em combustíveis, frutas e taxas veiculares
Inflação segue pressionada por alimentos e custos do agro

Mesmo com a desaceleração do índice geral, o comportamento dos preços mostra que alimentos e itens ligados à agropecuária continuam sendo os principais vetores da inflação.

Além disso, custos de transporte — especialmente ligados a combustíveis e logística — seguem impactando a cadeia produtiva e o consumidor final.

O cenário indica que, apesar de uma inflação mais moderada, os preços permanecem sensíveis a fatores como clima, custos de produção e dinâmica global, mantendo atenção redobrada sobre alimentação, transportes e o desempenho do agronegócio nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --