Mercado Financeiro

IPCA-15 de maio acelera pressão sobre alimentos, enquanto combustíveis aliviam custo do transporte no Brasil

Alta da inflação foi puxada por alimentação e bebidas, com disparada de produtos básicos, enquanto queda nos combustíveis reduziu pressão no setor de transportes


Publicado em: 27/05/2026 às 11:05hs

IPCA-15 de maio acelera pressão sobre alimentos, enquanto combustíveis aliviam custo do transporte no Brasil

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançou 0,62% em maio, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Apesar da desaceleração em relação aos 0,89% registrados em abril, o indicador reforça a pressão inflacionária sobre itens essenciais da mesa do brasileiro, especialmente no grupo de alimentação e bebidas.

No acumulado do ano, o IPCA-15 já soma alta de 3,02%, enquanto o avanço em 12 meses chegou a 4,64%, acima dos 4,37% observados no período imediatamente anterior.

O principal destaque do levantamento foi o grupo Alimentação e bebidas, que registrou alta de 1,38% e respondeu pelo maior impacto individual sobre a inflação do mês, com contribuição de 0,30 ponto percentual.

Alimentos básicos pressionam inflação e preocupam cadeia do agronegócio

Dentro da alimentação no domicílio, a inflação permaneceu elevada, passando de 1,77% em abril para 1,73% em maio. Entre os produtos que mais pesaram no bolso do consumidor estão:

  • Batata-inglesa: +26,29%
  • Tomate: +12,97%
  • Leite longa vida: +6,07%
  • Carnes: +1,98%

Por outro lado, alguns itens apresentaram recuo nos preços, ajudando a conter parcialmente a pressão inflacionária:

  • Maçã: -2,32%
  • Café moído: -2,09%

O movimento reforça a volatilidade dos preços agrícolas e evidencia os desafios enfrentados pelas cadeias produtivas do agronegócio brasileiro, especialmente diante de fatores climáticos, custos logísticos e oscilações de oferta.

Já a alimentação fora do domicílio desacelerou em maio, com alta de 0,51%, abaixo dos 0,70% registrados em abril. O comportamento foi influenciado pela redução no ritmo de reajuste das refeições e dos lanches.

Combustíveis recuam e aliviam pressão sobre transportes

Na contramão da alimentação, o grupo Transportes apresentou queda de 0,33% em maio, impulsionado principalmente pela redução nos preços dos combustíveis.

O recuo foi significativo após a forte alta observada em abril. Os principais destaques foram:

  • Etanol: -2,73%
  • Óleo diesel: -2,04%
  • Gasolina: -1,32%

O único combustível com avanço no período foi o gás veicular, que subiu 2,12%.

A queda nos combustíveis representa um fator importante para o controle da inflação, especialmente para o agronegócio e os setores de logística e distribuição, altamente dependentes do transporte rodoviário no Brasil.

Mesmo com a retração dos combustíveis, alguns serviços ligados ao transporte registraram alta, como as passagens aéreas, que avançaram 3,25% em maio após forte queda em abril.

Transporte público teve impacto regional nas capitais

O levantamento também mostrou diferenças importantes nos preços do transporte urbano entre as capitais brasileiras.

Houve redução nas tarifas e impactos de gratuidades em cidades como:

  • Brasília
  • Belo Horizonte
  • Belém
  • Curitiba

Em São Paulo e Salvador, programas de gratuidade aos domingos ajudaram a reduzir a pressão inflacionária do transporte público.

No ônibus intermunicipal, porém, houve aumento de 0,27%, influenciado pelo reajuste tarifário em Porto Alegre.

Energia elétrica e medicamentos também pressionam inflação

Além da alimentação, os grupos Habitação e Saúde e cuidados pessoais tiveram forte impacto no índice de maio.

A energia elétrica residencial subiu 2,16%, refletindo a adoção da bandeira tarifária amarela e reajustes aplicados em capitais como Fortaleza, Salvador e Recife.

Já os produtos farmacêuticos avançaram 1,25%, influenciados pela autorização de reajuste de até 3,81% nos medicamentos.

Goiânia lidera inflação regional; Brasília registra menor índice

Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Goiânia apresentou a maior inflação do país em maio, com alta de 1,41%, pressionada principalmente pelos combustíveis.

Já Brasília registrou o menor resultado, com avanço de 0,33%, beneficiada pela queda nas tarifas do transporte urbano e pelos recuos nos preços da gasolina.

O comportamento do IPCA-15 reforça o cenário de atenção para consumidores, produtores rurais e agentes do mercado, especialmente diante da persistente alta dos alimentos e da influência dos custos logísticos sobre toda a cadeia produtiva brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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