Mercado Financeiro

Investidor estrangeiro impulsiona Ibovespa em julho

Ações de commodities e bancos lideram alta em meio a expectativas sobre política monetária dos EUA


Publicado em: 31/07/2024 às 11:05hs

Investidor estrangeiro impulsiona Ibovespa em julho

O índice Ibovespa, principal referência do mercado acionário brasileiro, deve encerrar julho em alta, impulsionado principalmente pelo retorno de investimentos estrangeiros. Esse movimento reflete uma rotação global de ações, desencadeada por expectativas relacionadas às políticas do banco central dos Estados Unidos.

Até o momento, o Ibovespa acumula um aumento de 1,8% em julho, marcando o segundo mês consecutivo de valorização e reduzindo a queda anual para 6%. Em junho, o índice registrou alta de 1,48%, e antes disso, o único ganho em 2024 havia sido em fevereiro, com 0,99%.

Dados da B3 revelam que, até o dia 26 de julho, o mercado secundário de ações recebeu um influxo de capital estrangeiro de 3,4 bilhões de reais, o primeiro mês com entrada líquida de recursos externos em 2024. Contudo, as saídas líquidas no ano ainda somam 36,7 bilhões de reais.

Segundo Daniel Gewehr, estrategista-chefe do Itaú BBA, a movimentação se deve à rotação global de ações, com investidores reduzindo posições em setores de crescimento, como tecnologia, e focando em setores de valor, onde a bolsa brasileira tem destaque significativo. Ele acrescenta que esse movimento é mais um reflexo global do que um interesse específico no Brasil, uma vez que os fundos de ações no país registraram saídas de cerca de 3 bilhões de reais, e o câmbio se manteve elevado, assim como a curva de juros a longo prazo, acima de 12%.

No cenário internacional, a melhora nos indicadores de inflação e uma leve desaceleração da atividade econômica nos Estados Unidos contribuíram para o otimismo, aumentando as expectativas de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) já em setembro. Aline Cardoso, chefe de estratégia e ações da Santander Corretora, destacou a queda acentuada nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, usados como referência para investimentos globais.

Esse contexto favoreceu o Brasil, visto como um mercado de valor devido à forte presença de ações de empresas de commodities e bancos no índice Ibovespa. As cinco maiores participações no índice são Vale ON, Petrobras PN e ON, Itaú Unibanco PN e Banco do Brasil ON, que juntas representam cerca de 37% da carteira teórica composta por 86 ações de 83 empresas. Os setores de petróleo, financeiro e materiais básicos e mineração são os mais representativos, conforme dados da B3.

Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de ações do BTG Pactual, acredita que a recente rotação de ações e a perspectiva de cortes nos juros dos EUA fortalecem a tese de uma valorização do mercado brasileiro, que ele considera barato no atual contexto.

E Agora?

Os especialistas avaliam que o cenário externo, com uma possível redução dos juros pelo Fed, pode continuar a atrair fluxo estrangeiro para o mercado brasileiro. A decisão de política monetária do Fed, prevista para ser anunciada em breve, é aguardada com expectativa, especialmente quanto aos próximos passos delineados por Jerome Powell, presidente da instituição.

Internamente, a estabilidade fiscal e a redução da dívida pública são fatores críticos para a sustentação de uma alta consistente na bolsa. Juliano Arruda, diretor de renda variável para a América Latina do Goldman Sachs, ressalta a importância de uma política fiscal equilibrada para um movimento sustentável de apreciação dos ativos. Ele aponta que, sem uma âncora fiscal clara, a manutenção de prêmios elevados na curva de juros pode dificultar a valorização dos ativos.

Na última semana, os Ministérios do Planejamento e da Fazenda confirmaram a necessidade de cortar 15 bilhões de reais em verbas ministeriais para alinhar a projeção de déficit primário do governo central em 2024 à meta de déficit zero, o que também pode influenciar a percepção dos investidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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