Publicado em: 05/03/2026 às 12:00hs
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33% em janeiro de 2026, repetindo o mesmo resultado observado em dezembro de 2025, segundo levantamento técnico da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação atingiu 4,44%, ficando ligeiramente abaixo do teto da meta de 4,5% para o ano.
O grupo Alimentação e Bebidas apresentou leve desaceleração, passando de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro, com impacto de 0,05 ponto percentual no IPCA do mês.
O subgrupo Alimentação no domicílio registrou alta de apenas 0,10%, influenciado pela queda nos preços do leite longa vida (-5,59%), ovos (-4,48%), óleo de soja (-3,32%), arroz (-1,55%) e frango em pedaços (-1,41%).
Entre os produtos em alta, destacaram-se tomate (20,52%), cenoura (9,94%), maçã (3,94%), pescados (2,77%) e carnes (0,84%). Já a alimentação fora do domicílio avançou 0,55%, mantendo impacto relevante sobre o índice geral.
O grupo Transportes apresentou o maior impacto individual no IPCA, com alta de 0,60% e contribuição de 0,12 ponto percentual. O resultado foi impulsionado pelo aumento nos preços dos combustíveis: etanol (3,54%), gasolina (2,06%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%).
O grupo Saúde e Cuidados Pessoais também teve alta expressiva de 0,70%, representando o segundo maior impacto mensal (0,10 p.p.). Já Comunicação avançou 0,82%, embora com impacto limitado no índice geral.
Os grupos Habitação e Vestuário foram os únicos a registrar queda em janeiro. A energia elétrica residencial recuou 2,73%, refletindo a aplicação da bandeira tarifária verde, que elimina cobrança extra nas contas. Em dezembro, vigorava a bandeira amarela, que acrescentava R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
O grupo de Vestuário também apresentou leve retração, com impacto negativo de 0,01 ponto percentual no IPCA.
De acordo com a CNA, a variação do IPCA traz efeitos distintos sobre o agronegócio. A queda na energia reduz custos de atividades intensivas em eletricidade — como irrigação, resfriamento e bombeamento de água. Por outro lado, a alta dos combustíveis eleva despesas logísticas e operacionais dentro e fora da porteira.
A CNA também destacou que, apesar da expectativa de novo corte na taxa Selic pelo Banco Central do Brasil em março, a inflação acima do esperado pode levar a uma redução menor que o desejado na taxa básica de juros.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO (IPFA), que mede o comportamento internacional dos alimentos, registrou média de 123,9 pontos em janeiro, leve recuo de 0,4% frente a dezembro. Houve quedas nos preços de laticínios (-5,0%), carnes (-0,4%) e açúcar (-1,0%), compensadas pelas altas de óleos vegetais (+2,1%) e cereais (+0,2%).
A CNA aponta que a valorização dos óleos de palma, soja e girassol foi impulsionada pela menor produção no Sudeste Asiático e pela demanda global aquecida, enquanto o preço do açúcar recuou diante da perspectiva de maior oferta mundial.
Maiores quedas em janeiro:
Maiores altas em janeiro:
Com o IPCA acumulado em 4,44% em 12 meses, o resultado se mantém abaixo do teto da meta, mas acima da meta central de 3% definida para 2026. Segundo o Boletim Focus, a expectativa para a inflação deste ano é de 3,95%.
A CNA reforça que o comportamento dos preços agropecuários e de energia será decisivo para o ritmo da inflação nos próximos meses, com impactos diretos nos custos e na rentabilidade do produtor rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
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