Publicado em: 28/05/2026 às 11:06hs
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como a inflação do aluguel, desacelerou para 0,84% em maio, após registrar alta de 2,73% em abril, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado veio próximo das expectativas do mercado financeiro, que projetava avanço de 0,80% no período.
Com o desempenho de maio, o indicador acumula alta de 1,95% nos últimos 12 meses, mostrando uma trajetória de inflação mais moderada em comparação aos meses anteriores.
De acordo com o economista do FGV IBRE, Matheus Dias, a desaceleração foi influenciada principalmente pela estabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, fator que reduziu os impactos sobre as cadeias produtivas e diminuiu a pressão sobre os preços no atacado.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), responsável por 60% da composição do IGP-M e que mede os preços no atacado, subiu 0,91% em maio, desacelerando fortemente frente à alta de 3,49% observada em abril.
Segundo a FGV, parte desse movimento veio da redução da pressão sobre matérias-primas brutas, tanto minerais quanto agropecuárias, em um cenário de menor volatilidade internacional nas commodities energéticas.
Nos últimos meses, o petróleo vinha sendo um dos principais fatores de preocupação inflacionária após as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevarem os preços da commodity no mercado global.
A estabilização recente, porém, ajudou a conter novos reajustes ao longo da cadeia produtiva, trazendo alívio especialmente para setores industriais e logísticos.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, avançou 0,61% em maio, abaixo da alta de 0,94% registrada em abril.
Entre os principais fatores para a desaceleração estão os recuos nos preços dos combustíveis e de alguns alimentos de grande peso no orçamento das famílias.
A gasolina caiu 1,16% no período, enquanto o etanol recuou 4,91%. No segmento de alimentação, o café em pó apresentou queda de 2,99%, contribuindo para reduzir a pressão inflacionária ao consumidor.
O comportamento dos combustíveis é acompanhado de perto pelo agronegócio, especialmente pelos impactos diretos nos custos de transporte, frete e operação no campo.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,77% em maio, desacelerando em relação ao avanço de 1,04% observado em abril.
O indicador reflete custos relacionados à mão de obra, materiais e serviços da construção civil, setor que continua monitorando os impactos dos juros elevados e da inflação sobre os investimentos.
O IGP-M é um dos principais índices inflacionários do país e serve de referência para reajustes de contratos de aluguel, tarifas públicas, seguros e diversos contratos empresariais.
O cálculo considera a variação de preços entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência, reunindo indicadores do atacado, consumidor e construção civil.
A desaceleração registrada em maio é vista pelo mercado como um sinal de menor pressão inflacionária de curto prazo, embora o cenário internacional e os preços das commodities sigam no radar dos agentes econômicos e do setor agropecuário.
Fonte: Portal do Agronegócio
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