Ibovespa ronda estabilidade, Wall Street avança e petróleo dispara antes do payroll dos EUA
Bolsas globais operam sem direção única nesta quinta-feira (3), enquanto investidores acompanham o conflito entre Estados Unidos e Irã, a alta do petróleo, o cenário eleitoral brasileiro e os próximos passos dos bancos centrais
Publicado em: 03/09/2026 às 10:55hs
Os mercados financeiros internacionais apresentam movimentos mistos nesta quinta-feira (3), em uma sessão marcada pela cautela antes da divulgação do relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, o payroll de agosto. O indicador será conhecido na sexta-feira (4) e poderá alterar as expectativas para a política monetária norte-americana.
No Brasil, o Ibovespa oscila próximo da estabilidade depois de avançar 3,05% na sessão anterior e fechar aos 185.205 pontos. O índice encontra suporte nas ações ligadas ao petróleo, mas enfrenta realização de lucros e maior cautela dos investidores após a forte valorização recente.
O ambiente político e fiscal brasileiro também permanece no centro das atenções, com o mercado monitorando pesquisas eleitorais, articulações partidárias e seus possíveis impactos sobre a condução das contas públicas.
Ibovespa perde fôlego após forte alta
O principal índice da Bolsa brasileira iniciou a sessão sem uma direção definida, após acumular 11 pregões consecutivos de valorização e alcançar um dos maiores níveis de sua história.
A alta de 3,05% registrada na quarta-feira (2) foi sustentada principalmente pela entrada de recursos estrangeiros, pela valorização das ações da Petrobras e da Vale e pela repercussão de uma nova pesquisa eleitoral. No mesmo pregão, o dólar à vista recuou 0,92%, encerrando cotado a R$ 5,1084.
Nesta quinta-feira, a moeda norte-americana chegou a ser negociada ao redor de R$ 5,08 nas primeiras operações, mantendo o movimento de valorização do real observado nas últimas sessões. UOL Economia
Apesar do desempenho favorável recente, investidores adotam maior cautela diante das incertezas fiscais, da corrida eleitoral e do risco de que a escalada do petróleo volte a pressionar a inflação e os juros globais.
Petrobras ganha força com disparada do petróleo
Ao contrário da indicação inicial de perda de força, os preços do petróleo voltaram a subir com intensidade nesta quinta-feira. O avanço reflete o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã e os riscos para a navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte da commodity.
O petróleo Brent avançava 1,7%, negociado próximo de US$ 97,29 por barril, enquanto o WTI subia 2,2%, para cerca de US$ 93,04. As cotações atingiram os maiores patamares em aproximadamente seis semanas. Reuters
A valorização beneficia empresas brasileiras exportadoras da commodity, especialmente a Petrobras, mas também amplia as preocupações com os efeitos da energia mais cara sobre combustíveis, transporte, alimentos e inflação.
Para o agronegócio, uma alta prolongada do petróleo pode encarecer o diesel, os fertilizantes importados, os defensivos agrícolas e o transporte das safras. Em contrapartida, o movimento pode favorecer a competitividade dos biocombustíveis, como etanol e biodiesel.
Mudança no comando da CSN movimenta mercado
No cenário corporativo brasileiro, as atenções estão voltadas para a reestruturação da Companhia Siderúrgica Nacional. Benjamin Steinbruch deixou o cargo de diretor-presidente da CSN após 24 anos no comando executivo e assumirá a presidência do conselho de administração.
Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale, foi escolhido para assumir a direção da companhia a partir desta quinta-feira. A mudança ocorre em um momento no qual a CSN busca reduzir seu endividamento e avançar na venda de ativos, incluindo o negócio de cimento. Reuters
Também repercute no mercado financeiro a aquisição da plataforma de benefícios corporativos Alymente pelo C6 Bank, operação que reforça a estratégia de ampliação dos serviços oferecidos pelo banco.
Wall Street abre em alta antes do payroll
Depois de os contratos futuros indicarem uma abertura sem direção única, as bolsas de Nova York passaram a subir durante o pregão. O Dow Jones avançava cerca de 0,7%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq registravam ganhos próximos de 0,5% e 0,6%, respectivamente.
O desempenho positivo ocorre apesar da disparada do petróleo e do aumento das tensões no Oriente Médio. A queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano contribui para sustentar as ações, especialmente empresas de tecnologia. Associated Press
Os investidores evitam posições mais agressivas antes do payroll. O mercado espera a criação de aproximadamente 56 mil a 58 mil vagas em agosto, depois da inesperada eliminação de 23 mil postos de trabalho em julho. A expectativa é de manutenção da taxa de desemprego em 4,1%.
A divulgação está confirmada para sexta-feira (4), às 8h30 no horário de Washington e às 9h30 no horário de Brasília. Bureau of Labor Statistics
Um resultado acima do esperado poderá reforçar a possibilidade de manutenção ou elevação dos juros pelo Federal Reserve. Números mais fracos, por sua vez, poderão reduzir as pressões sobre os rendimentos dos títulos e favorecer os ativos de risco.
Snowflake dispara e Broadcom recua
Entre as ações de tecnologia, a Snowflake avançava mais de 24% após elevar sua previsão de receita com produtos para o ano fiscal de 2027. A companhia passou a projetar US$ 6,07 bilhões, apoiada pelo crescimento da demanda por soluções de inteligência artificial. Reuters
Em sentido contrário, a Broadcom recuava aproximadamente 3% depois de apresentar uma projeção de receita trimestral de US$ 34,8 bilhões, abaixo dos US$ 35,4 bilhões esperados por analistas. O resultado ofuscou o forte crescimento das vendas de chips destinados à inteligência artificial.
Bolsas europeias recuperam parte das perdas
Na Europa, os mercados acionários ensaiaram uma recuperação depois de três sessões consecutivas de queda. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava aproximadamente 0,2%, aos 646,96 pontos.
O DAX, de Frankfurt, registrava leve alta, enquanto o Ibex 35, de Madri, apresentava valorização mais firme. O CAC 40, de Paris, oscilava próximo da estabilidade, com viés negativo.
A redução dos rendimentos dos títulos públicos europeus ajudou os índices, mas a valorização do petróleo manteve as preocupações com inflação e juros elevados.
Entre os destaques corporativos, a fabricante francesa de semicondutores Soitec disparava cerca de 10% após elevar sua projeção de crescimento da receita. A Deutsche Telekom avançava aproximadamente 1,7% depois de informações de que o fundo Elliott adquiriu uma participação na empresa. Reuters
Bolsas da Ásia fecham sem direção única
Os mercados asiáticos encerraram a sessão desta quinta-feira com variações moderadas. Na China continental, o índice de Xangai subiu 0,02%, aos 3.942 pontos, enquanto o CSI 300 avançou 0,10%, aos 4.552 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,39%, aos 25.213 pontos. No Japão, o Nikkei recuou 0,17%, aos 64.214 pontos. Reuters
O Kospi, da Coreia do Sul, ganhou 0,26%, enquanto o Taiex, de Taiwan, caiu 0,67%. Em Sydney, o S&P/ASX 200 avançou 0,46%.
As ações do setor imobiliário chinês estiveram entre os principais destaques positivos, com alta de 4,1%, recuperando parte das perdas acumuladas nos três pregões anteriores.
Já os papéis da Shein caíram 8,7% no terceiro dia de negociação na Bolsa de Hong Kong. As ações chegaram a HK$ 42, abaixo do preço de estreia de HK$ 48,56. Financial Times
Serviços da China aceleram em agosto
Dados divulgados nesta quinta-feira mostraram que o setor de serviços chinês cresceu em ritmo mais acelerado em agosto. O fortalecimento da demanda doméstica também ajudou as empresas a ampliarem as contratações pelo quarto mês consecutivo.
Os números oferecem algum suporte às ações chinesas, mas não eliminam as preocupações com a recuperação irregular da segunda maior economia do mundo, especialmente nos segmentos imobiliário e de consumo.
Mercado monitora emprego, petróleo e juros
A combinação entre payroll, conflito no Oriente Médio, petróleo próximo de US$ 100 e incertezas políticas no Brasil deverá manter elevada a volatilidade dos mercados.
No cenário doméstico, o Ibovespa tenta preservar os 185 mil pontos depois de uma sequência expressiva de altas. No exterior, o relatório de emprego dos Estados Unidos será determinante para as expectativas sobre os juros do Federal Reserve e para o comportamento do dólar, das commodities e das bolsas globais.
Para o agronegócio brasileiro, o avanço do petróleo merece atenção especial. Além de influenciar combustíveis e fretes, a commodity pode alterar custos de produção, preços dos insumos, inflação de alimentos e competitividade dos biocombustíveis.
Meta description: Ibovespa oscila após superar 185 mil pontos, Wall Street avança e petróleo dispara com o conflito entre EUA e Irã. Bolsas globais aguardam o payroll.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias