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Mercado Financeiro

Focus: mercado eleva previsão da inflação para 5,22% em 2026 e reduz estimativa da Selic

Projeção para o IPCA sobe pela quarta semana consecutiva e permanece acima do teto da meta; expectativa de crescimento do PIB fica em 1,85%.


Publicado em: 14/10/2026 às 19:40hs

Focus: mercado eleva previsão da inflação para 5,22% em 2026 e reduz estimativa da Selic

A previsão do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2026 subiu de 5,01% para 5,22%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na terça-feira (13). Foi a quarta alta consecutiva da estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Apesar da revisão da inflação, os analistas reduziram a projeção para a Selic no encerramento de 2026, de 13,50% para 13,25% ao ano. A expectativa de crescimento da economia permaneceu em 1,85%.

O levantamento também apontou redução nas estimativas para o dólar ao fim de 2026 e de 2027. As projeções representam as expectativas dos participantes da pesquisa, e não decisões ou previsões oficiais do Banco Central.

Inflação projetada supera o teto da meta em 2026

A estimativa de 5,22% para o IPCA está 0,72 ponto percentual acima do limite superior da meta, de 4,5%.

A meta contínua definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O intervalo, portanto, vai de 1,5% a 4,5%.

Para 2027, o mercado manteve a previsão de inflação em 4,30%. Já a estimativa para 2028 recuou ligeiramente, de 3,80% para 3,79%.

O conjunto das projeções indica que os analistas ainda esperam inflação acima do centro da meta nos três anos acompanhados.

Mercado prevê Selic de 13,25% ao fim de 2026

A expectativa para a taxa básica de juros no encerramento de 2026 caiu 0,25 ponto percentual, para 13,25% ao ano.

Para os anos seguintes, as estimativas não mudaram: o mercado projeta Selic de 12% ao ano em 2027 e de 10,5% em 2028.

Esses números expressam a trajetória esperada pelos analistas. A definição da taxa cabe ao Comitê de Política Monetária (Copom), que avalia a inflação, a atividade econômica e os riscos para o cumprimento da meta.

Previsão de crescimento do PIB permanece em 1,85%

A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 ficou estável em 1,85%. Para 2027, a expectativa também foi mantida, em 1,40%.

A revisão ocorreu apenas em 2028, quando a estimativa passou de 1,81% para 1,83%.

O cenário apresentado pelo Focus combina, assim, uma revisão relevante da inflação de 2026 com estabilidade na expectativa de expansão da economia neste ano.

Estimativa para o dólar cai para R$ 5,15

O mercado reduziu a previsão para o dólar no fim de 2026, de R$ 5,20 para R$ 5,15.

Para 2027, a estimativa recuou de R$ 5,28 para R$ 5,26. Em 2028, permaneceu em R$ 5,30.

As expectativas cambiais integram o cenário acompanhado por empresas e produtores rurais, especialmente nas atividades que combinam receitas de exportação e despesas com insumos importados.

Banco Central acompanha desaceleração e pressões inflacionárias

As revisões do Focus ocorrem em um contexto de desaceleração gradual da atividade e persistência das preocupações com a inflação.

Na ata do Copom publicada em 22 de setembro, o Banco Central avaliou que os efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda vêm se acumulando, mas destacou que as expectativas inflacionárias continuam acima da meta.

No Relatório de Política Monetária, divulgado dois dias depois, o BC reduziu sua projeção de crescimento da economia em 2026 de 2% para 1,8%.

Para o planejamento do agronegócio, o levantamento mantém inflação, juros e câmbio entre as variáveis centrais de acompanhamento. A revisão para cima do IPCA reforça a atenção aos custos, enquanto as expectativas para Selic e dólar ajudam a compor os cenários de financiamento e comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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