Mercado Financeiro

FIDC do Centro-Oeste deve liberar R$ 3,1 bilhões em crédito e desafia hegemonia financeira de São Paulo

Expansão de fundos de crédito estruturado evidencia novo polo financeiro fora do eixo Rio-São Paulo, impulsionado por agronegócio e tecnologia digital


Publicado em: 31/03/2026 às 14:30hs

FIDC do Centro-Oeste deve liberar R$ 3,1 bilhões em crédito e desafia hegemonia financeira de São Paulo
Mercado de crédito brasileiro passa por reorganização estrutural

O mercado de crédito no Brasil inicia 2026 em processo de forte transformação. Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, o crédito bancário tradicional perdeu força, especialmente em operações de maior risco e prazo prolongado. Segundo dados do Banco Central, o crescimento do crédito livre para empresas ficou abaixo de 5% em termos reais em 2025, refletindo a maior seletividade das instituições financeiras.

Em contrapartida, o crédito privado estruturado, como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), ganhou espaço como alternativa principal de financiamento da economia real. O patrimônio líquido dos FIDCs se aproximou de R$ 800 bilhões no último ano, com crescimento anual de cerca de 15%, consolidando o segmento como um dos mais dinâmicos do mercado financeiro.

Geografia do capital se desloca para o Centro-Oeste

O avanço do crédito estruturado não ocorre de forma uniforme no país e vem alterando a geografia do capital. Em 2025, setores que lideraram o crescimento econômico estiveram fortemente concentrados fora do eixo Rio–São Paulo.

O agronegócio destacou-se com crescimento de 7,5%, com o Centro-Oeste respondendo por mais de 45% da produção nacional de grãos. Cadeias ligadas à logística, armazenagem, indústria de base e serviços corporativos também apresentaram desempenho acima da média, gerando empresas com fluxo de caixa previsível e demanda recorrente por financiamento estruturado. Esse cenário favoreceu a consolidação de polos regionais de crédito capazes de operar volumes significativos fora das capitais tradicionais.

Centro-Oeste projeta R$ 3,1 bilhões em crédito em 2026

Nesse contexto, uma empresa do Centro-Oeste projeta operacionalizar R$ 3,1 bilhões em crédito ao longo de 2026, um indicador da transformação estrutural do mercado financeiro. Para Pedro da Matta, CEO da Audax Capital:

“Com a retração do crédito bancário, muitas empresas que nunca haviam recorrido a estruturas alternativas passaram a buscar crédito privado. O que define essas operações não é o CEP, mas a qualidade do ativo, o fluxo de caixa e o lastro real por trás do recebível.”

Tecnologia digital elimina barreiras geográficas

Segundo Da Matta, a tecnologia foi decisiva para viabilizar o deslocamento de capital. Mais de 90% das transações financeiras no Brasil já são realizadas por canais digitais, reduzindo a necessidade de presença física para análise, originação e monitoramento das operações.

“A digitalização eliminou a barreira geográfica. Hoje, a estruturação do crédito acontece de forma integrada, com dados, governança e controle de risco, independentemente de o operador estar em São Paulo ou no Centro-Oeste”, explica o executivo.

Consolidação dos FIDCs em polos regionais deve crescer

O CEO da Audax Capital acredita que a consolidação dos FIDCs em polos regionais tende a se intensificar nos próximos anos. A combinação entre crescimento acelerado, controle de risco e proximidade com cadeias produtivas fora do eixo tradicional explica por que empresas do Centro-Oeste passaram a concentrar volumes bilionários em crédito estruturado, desafiando a hegemonia histórica das capitais.

O avanço de R$ 3,1 bilhões em crédito fora do eixo tradicional torna-se, assim, um indicador concreto da nova geografia financeira em formação no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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