Emissões de CRA atingem R$ 2,41 bilhões em agosto, melhor mês de 2026
Estoque dos títulos cresce 7,5% em um ano e chega a R$ 174,95 bilhões, mas novas emissões ainda recuam; Fiagros e CPR ampliam participação no financiamento do agronegócio
Publicado em: 21/10/2026 às 16:00hs
As emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) somaram R$ 2,41 bilhões em agosto, o maior volume mensal de 2026, segundo levantamento da Quantum Finance. Apesar da recuperação em relação aos meses anteriores, o resultado ficou 63,8% abaixo dos R$ 6,65 bilhões registrados em agosto de 2025.
De janeiro a agosto, as novas operações movimentaram R$ 10,22 bilhões, uma redução de 54,2% frente aos R$ 22,33 bilhões emitidos no mesmo intervalo do ano passado.
O desempenho revela um mercado com menor ritmo de novas captações, mas que mantém crescimento do estoque na comparação anual e atividade no mercado secundário. Ao mesmo tempo, outros instrumentos, como os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros) e as Cédulas de Produto Rural (CPR), ganham espaço no financiamento do setor.
Maior seletividade do crédito influencia novas emissões
A redução das emissões ocorre em um ambiente de análise mais rigorosa das operações. Custo de captação, qualidade do crédito, garantias e liquidez dos títulos passaram a ter maior peso nas decisões de empresas e investidores.
Para Amanda Coura, fundadora da Zera, mudanças nas regras do CRA também ajudam a explicar a desaceleração. Segundo a executiva, a Resolução CMN nº 5.212, publicada em maio de 2025, restringiu o universo de empresas elegíveis ao instrumento.
Na avaliação de Coura, o ajuste aproximou a utilização do CRA de sua finalidade original, mas reduziu o conjunto de empresas que poderiam acessar esse mecanismo de financiamento.
Como as ofertas já protocoladas foram preservadas, os efeitos sobre as emissões não ocorreram imediatamente. Entre junho e dezembro de 2025, as operações ainda somaram R$ 32,29 bilhões, conforme a Quantum Finance. A retração ficou mais evidente em 2026.
Estoque de CRA alcança R$ 174,95 bilhões
Mesmo com a queda nas novas operações, o estoque de CRA atingiu R$ 174,95 bilhões ao fim de agosto, alta de 7,5% sobre os R$ 162,78 bilhões contabilizados um ano antes.
Durante 2026, o saldo apresentou relativa estabilidade, embora permanecesse abaixo do pico de R$ 178,39 bilhões registrado em dezembro de 2025. Em agosto, houve leve crescimento em relação a julho.
Os indicadores representam movimentos distintos: as emissões medem o fluxo de novas operações, enquanto o estoque corresponde ao saldo dos títulos em circulação.
Negociação de títulos cresce no mercado secundário
O mercado secundário, no qual os investidores negociam CRAs já emitidos, movimentou R$ 6,63 bilhões em agosto.
No acumulado de janeiro a julho, o volume negociado chegou a R$ 51,72 bilhões, avanço de 4,2% sobre os R$ 49,66 bilhões do mesmo período de 2025. A média mensal informada para 2026 ficou em R$ 7,29 bilhões.
Assim, a redução das novas emissões não foi acompanhada de queda no volume negociado no recorte acumulado disponível. Os títulos em circulação continuaram movimentando recursos entre investidores.
Fiagros e CPR ampliam alternativas de financiamento do agro
Para Amanda Coura, a análise isolada dos CRAs não retrata toda a evolução do mercado de capitais no agronegócio. A executiva avalia que há uma mudança na composição das estruturas utilizadas para direcionar recursos a produtores e empresas.
Nesse movimento, os Fiagros ampliam sua participação. Segundo Coura, a regulamentação desses fundos trouxe maior flexibilidade para a aplicação em ativos vinculados à cadeia agropecuária, incluindo CPR física e financeira.
Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que as ofertas de Fiagros somaram R$ 9,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. O volume superou os R$ 8,85 bilhões captados em todo o ano de 2023, até então o recorde anual da indústria.
As CPRs também avançaram. Conforme o Boletim de Finanças Privadas do Agro, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estoque desses títulos alcançou R$ 600,3 bilhões em agosto, acima dos R$ 561,29 bilhões das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).
Na avaliação da fundadora da Zera, o CRA mantém relevância, enquanto outros instrumentos passam a oferecer caminhos adicionais para financiar a produção e as atividades da cadeia.
CRA da Camil lidera volume e número de negócios
O levantamento da Quantum Finance também identificou os títulos com maior movimentação em agosto. O CRA0240066A, vinculado à Camil, liderou tanto em volume financeiro quanto em quantidade de operações, com R$ 217,7 milhões negociados em 3.180 negócios.
As duas classificações permitem observar aspectos diferentes da negociação: um papel pode movimentar valores elevados em poucas operações, enquanto outro pode registrar maior frequência de transações.
Os dez CRAs com maior volume financeiro em agosto
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Os dez CRAs com maior número de operações em agosto
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Títulos mais movimentados concentram 19,5% do volume mensal
Juntos, os dez CRAs com maior volume financeiro movimentaram aproximadamente R$ 1,29 bilhão em agosto, o equivalente a 19,5% do total negociado no mês.
A participação de empresas de alimentos, proteínas animais, açúcar, etanol, papel e celulose mostra a diversidade de atividades representadas nesses títulos. Como cerca de 80,5% do volume financeiro ficou fora dos dez primeiros colocados, a negociação também se distribuiu por outros papéis do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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