Publicado em: 03/06/2026 às 11:00hs
O mercado financeiro iniciou esta quarta-feira (3) sob forte influência do cenário internacional. O dólar voltou a subir frente ao real, enquanto o Ibovespa opera em queda, refletindo a aversão ao risco provocada pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelas novas ameaças tarifárias direcionadas a diversos parceiros comerciais dos norte-americanos, incluindo o Brasil.
A moeda norte-americana chegou a operar próxima da estabilidade na abertura dos negócios, mas ganhou força ao longo da manhã. Por volta das 10h10, o dólar registrava alta de 0,56%, cotado a R$ 5,0366. Mais cedo, a moeda chegou a ser negociada na faixa de R$ 5,0157.
Na sessão anterior, o dólar à vista encerrou o pregão em queda de 0,24%, cotado a R$ 5,0098, acumulando desvalorização de 8,74% em 2026. Apesar do avanço desta quarta-feira, o câmbio segue em níveis historicamente mais favoráveis para importadores e para setores que dependem de insumos externos.
Os investidores monitoram atentamente os desdobramentos dos novos ataques envolvendo forças dos Estados Unidos e do Irã no Oriente Médio. O agravamento do conflito amplia a busca global por ativos considerados mais seguros, fortalecendo o dólar frente à maior parte das moedas internacionais.
Em momentos de maior instabilidade geopolítica, os mercados costumam migrar recursos para ativos de proteção, como títulos do Tesouro americano e a própria moeda dos Estados Unidos, movimento que pressiona moedas de países emergentes, incluindo o real.
Além do cenário geopolítico, o mercado acompanha as discussões comerciais em Washington. O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) voltou a defender tarifas adicionais sobre produtos importados de diversos países.
Entre as propostas está uma sobretaxa de até 12,5% sobre exportações brasileiras, sob a justificativa de supostas falhas no combate ao trabalho forçado. A medida se soma à cobrança de 25% já defendida anteriormente para determinados produtos brasileiros.
A possibilidade de novas barreiras comerciais gera preocupação entre exportadores e investidores, principalmente em setores estratégicos para o agronegócio brasileiro, como carnes, café, suco de laranja, açúcar e produtos florestais.
Na bolsa de valores, o movimento foi de realização de lucros e redução de exposição ao risco. O Ibovespa, principal índice da B3, recuava 1,27% durante a manhã, aos 171.989 pontos.
Na véspera, o índice havia encerrado o pregão com leve valorização de 0,16%, aos 174.198 pontos, renovando máximas históricas impulsionado pelo fluxo estrangeiro e pela expectativa de cortes de juros em importantes economias globais.
Apesar da correção observada nesta quarta-feira, o desempenho acumulado da bolsa brasileira continua positivo em 2026.
Para o agronegócio brasileiro, a movimentação do dólar continua sendo um dos principais fatores de atenção. Uma moeda americana mais valorizada tende a favorecer a competitividade das exportações agrícolas, aumentando a receita em reais dos embarques de commodities como soja, milho, café, algodão e carnes.
Por outro lado, a alta do câmbio também encarece insumos importados, especialmente fertilizantes, defensivos agrícolas e máquinas, elevando os custos de produção no campo.
Com o avanço das tensões geopolíticas e a possibilidade de novas restrições comerciais dos Estados Unidos, o mercado deve permanecer volátil nos próximos dias, mantendo produtores, exportadores e investidores atentos aos próximos movimentos da economia global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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