Publicado em: 17/07/2024 às 12:20hs
O dólar apresentou alta em relação ao real nesta quarta-feira, acompanhando a valorização da moeda americana em diversos mercados emergentes. A elevação busca compensar as perdas registradas na sessão anterior, em um cenário de incertezas em relação à futura política comercial dos Estados Unidos e à situação das contas públicas brasileiras.
Às 9h59, a cotação do dólar à vista subia 0,49%, sendo negociada a R$ 5,4557 na venda. No mercado futuro da B3, o contrato de primeiro vencimento também registrava alta, com um aumento de 0,33%, alcançando R$ 5,452.
Nesta manhã, a moeda americana acumulava ganhos significativos em vários mercados emergentes, incluindo o Brasil. O dólar avançava 0,6% em relação ao rand sul-africano e 0,7% frente ao peso mexicano.
No cenário global, as expectativas em torno de uma política comercial mais restritiva nos EUA têm crescido, especialmente após as recentes apostas na vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais de novembro. Esse ambiente tem impactado o apetite por risco dos investidores. O rendimento do Treasury de dez anos, uma referência global para decisões de investimento, subia 2 pontos-base, atingindo 4,183%.
Na segunda-feira, Trump confirmou o senador J.D. Vance como seu candidato a vice, reforçando as previsões de que sua futura administração adotará uma postura de forte protecionismo. Em declarações, Vance classificou a China como a "maior ameaça" aos EUA, reiterando a linha dura de Trump em relação ao país asiático, com frequentes menções à imposição de tarifas.
A situação se complica ainda mais com uma reportagem da Bloomberg, que apontou que o governo do presidente Joe Biden está considerando novas restrições à indústria de chips da China, sugerindo uma continuidade na pressão sobre a política comercial americana, independentemente da reeleição dos democratas.
No cenário externo, destacou-se a queda nos preços futuros do minério de ferro, com o contrato de setembro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China atingindo o menor valor em quase três semanas, cotado a 805 iuanes (cerca de 110,78 dólares), o que impacta negativamente países exportadores de commodities.
Internamente, as preocupações com o ajuste fiscal voltaram a pressionar o real, especialmente após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que o governo não é obrigado a cumprir a meta fiscal "se houver questões mais importantes a serem tratadas". Em entrevista à TV Record, Lula ainda manifestou a necessidade de ser convencido sobre cortes de despesas para respeitar o arcabouço fiscal, declarando que um déficit de 0,1% ou 0,2% do PIB não seria um problema.
As declarações do presidente geraram volatilidade no real. Apesar disso, o dólar à vista fechou o dia anterior cotado a R$ 5,4293, apresentando uma queda de 0,28%. Segundo Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos, “os reflexos das declarações de Lula podem indicar uma insegurança em relação ao arcabouço fiscal, já que ele deixou margem para interpretações sobre a flexibilidade que espera, possivelmente maior do que o mercado está disposto a aceitar”.
Assim, o desempenho da moeda americana no Brasil contrasta com sua fraqueza nas economias avançadas, em meio à expectativa de um ciclo de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve. Operadores já precificam um corte de juros para setembro, com a possibilidade de mais dois cortes até o final do ano, conforme os EUA apresentam dados de inflação mais moderados, reforçando a trajetória em direção à meta de 2%.
O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas, caiu 0,47%, situando-se a 103,720. O euro, por sua vez, era negociado a 1,09415 dólar, com uma alta de 0,39% no dia.
Fonte: Portal do Agronegócio
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