Publicado em: 02/08/2024 às 11:15hs
Nesta sexta-feira, o dólar registrou alta frente ao real, cotado acima de R$5,75, ampliando os ganhos observados na véspera. O movimento foi impulsionado por uma maior aversão ao risco dos investidores, após a divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos que ficaram significativamente abaixo das expectativas.
Às 9h45, o dólar à vista estava valorizado em 0,5%, cotado a R$5,7652 na venda. No mercado futuro da B3, o contrato de dólar com vencimento mais próximo apresentava uma elevação de 0,02%, negociado a R$5.772,5 na venda.
Na quinta-feira, o dólar à vista havia fechado a R$5,7364, marcando uma alta de 1,43% e atingindo o maior valor de fechamento desde 21 de dezembro de 2021.
O Departamento de Trabalho dos EUA relatou a criação de 114.000 vagas de emprego em julho, abaixo das 179.000 vagas do mês anterior e revisado para baixo em relação às 206.000 vagas inicialmente reportadas. Economistas consultados pela Reuters haviam projetado a geração de 175.000 novas vagas para o mês.
Esses números reforçam a percepção de um esfriamento no mercado de trabalho americano, em um contexto de juros elevados, o que poderia sugerir o início de um ciclo de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve. Embora tal cenário teórico fosse positivo para o real, a realidade é mais complexa.
O resultado dos dados elevou as preocupações sobre um possível enfraquecimento na economia dos EUA, diante de um mercado de trabalho mais fraco do que o esperado, gerando aversão ao risco e fortalecendo o dólar em relação a outras moedas emergentes.
Na véspera, os agentes financeiros já demonstravam apreensão, com um índice de atividade manufatureira nos EUA caindo para seu nível mais baixo em oito meses.
Os operadores aumentaram suas apostas para um corte de 0,5 ponto percentual na taxa de juros americana em setembro, agora com uma probabilidade de 70%, comparado a uma expectativa anterior de 70% para uma redução de 0,25 ponto percentual.
O Federal Reserve manteve a taxa de juros inalterada em sua reunião de quarta-feira, mas sinalizou a possibilidade de uma redução no próximo encontro, em resposta à desaceleração da inflação em direção à meta de 2%.
Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, comentou: "O ambiente de dados mais fracos para os EUA está acentuando o receio de uma desaceleração econômica mais rápida e intensa do que o esperado. Se os dados do payroll forem muito fracos, é provável que isso intensifique ainda mais a aversão ao risco."
Com isso, a moeda americana se fortaleceu também em relação a outras moedas emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano.
Os mercados estão atentos também ao desempenho do iene japonês, que tem experimentado recuperação desde que o Banco do Japão elevou sua taxa de juros na quarta-feira. A expectativa de juros mais altos no Japão tem garantido ganhos para a moeda japonesa, com a reversão de operações de "carry trade" – quando investidores retiram recursos de países com juros baixos para investir em lugares com taxas mais altas.
O dólar estava em queda de 1,55% frente ao iene, cotado a 147,05.
Além disso, os preços das commodities estão no radar, com as tensões no Oriente Médio e a deterioração das perspectivas econômicas da China, maior importador de matérias-primas do mundo, impactando o mercado. O índice do dólar – que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas – estava em queda de 0,73%, cotado a 103,600.
Fonte: Portal do Agronegócio
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