Publicado em: 07/06/2024 às 10:53hs
Nesta sexta-feira, o dólar apresentou uma valorização significativa frente ao real, após a divulgação de um robusto relatório de emprego dos Estados Unidos, que mostrou uma criação de vagas acima das expectativas em maio. Esse cenário diminuiu as apostas dos investidores sobre um possível ciclo de corte de juros pelo Federal Reserve.
Às 9h53, o dólar à vista subia 0,83%, sendo cotado a 5,2928 reais na venda. Na B3, o contrato futuro do dólar com vencimento mais próximo subia 0,45%, a 5,294 reais na venda.
"O relatório foi uma grande surpresa. Com a chegada do verão nos EUA, as contratações aumentam, mas esse crescimento não era esperado", afirmou Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.
Segundo o Departamento de Trabalho dos EUA, foram criadas 272.000 vagas fora do setor agrícola em maio, superando amplamente a expectativa de 185.000 vagas prevista por economistas consultados pela Reuters, cujas estimativas variavam de 120.000 a 258.000.
Um mercado de trabalho aquecido tem sido um dos principais argumentos das autoridades do Fed para manter cautela em relação ao controle da inflação e adiar um possível ciclo de afrouxamento monetário. Dados recentes sugeriam um arrefecimento do mercado de trabalho, alimentando expectativas de cortes de juros, mas o relatório desta sexta-feira mudou essas apostas, reforçando a perspectiva de juros mais altos por um período prolongado nos EUA.
"O Fed está focado na inflação e deve deixar claro que esse será o foco para futuros cortes de juros", acrescentou Moutinho, mencionando ainda a possibilidade de um corte antes das eleições nos EUA, previstas para o início de novembro.
Após a divulgação dos dados, as chances de o Fed reduzir os juros em sua reunião de setembro caíram para 52%, ante 69% antes do relatório. Juros mais altos nos EUA tornam os investimentos em dólares mais atraentes, fortalecendo a moeda americana.
Externamente, o índice do dólar, que mede a performance da moeda frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,54%, atingindo 104,670. Antes da divulgação do relatório, a moeda americana estava estável. O dólar australiano, frequentemente usado como indicador de apetite por risco, caía 0,89%.
Enquanto isso, o Banco Central Europeu cortou suas taxas de juros em 0,25 ponto percentual na quinta-feira, a primeira redução na zona do euro desde 2019, em meio a esforços para desacelerar a inflação após juros recordes.
No Brasil, investidores estão atentos aos comentários de membros do Banco Central, incluindo palestras do presidente Roberto Campos Neto, do diretor de Política Monetária Gabriel Galípolo e do diretor de Assuntos Internacionais Paulo Picchetti. Na quinta-feira, Campos Neto e Galípolo expressaram preocupações com as expectativas de inflação para o final deste ano e para os próximos anos, conforme evidenciado na pesquisa Focus.
Fonte: Portal do Agronegócio
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