Mercado Financeiro

Dólar opera estável abaixo de R$ 4,90 com tensão no Oriente Médio e Focus revisando inflação; Ibovespa mantém viés positivo

Mercado financeiro acompanha impasse entre EUA e Irã, movimento do petróleo, juros no Brasil e fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira


Publicado em: 11/05/2026 às 11:02hs

Dólar opera estável abaixo de R$ 4,90 com tensão no Oriente Médio e Focus revisando inflação; Ibovespa mantém viés positivo

O mercado financeiro iniciou esta segunda-feira sob forte atenção ao cenário geopolítico internacional e aos desdobramentos econômicos no Brasil. O dólar comercial opera próximo da estabilidade frente ao real, enquanto o Ibovespa mantém leve alta, sustentado pelo fluxo de capital estrangeiro, expectativa de juros elevados no país e revisão das projeções econômicas divulgadas pelo Banco Central.

Por volta das 10h47, o dólar apresentava leve queda de 0,11%, cotado a R$ 4,8887. Já às 9h34, a moeda norte-americana chegou a registrar estabilidade técnica, negociada a R$ 4,8971. Na B3, o contrato futuro de dólar para junho avançava 0,10%, aos R$ 4,9200.

Na sexta-feira, a divisa encerrou o pregão em baixa de 0,59%, cotada a R$ 4,8942, acumulando desvalorização de 1,16% na semana e no mês. No acumulado de 2026, o dólar já recua mais de 10% frente ao real, refletindo principalmente o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e a entrada de recursos externos na Bolsa brasileira.

O Ibovespa, por sua vez, operava em alta de 0,06%, aos 184.211 pontos, após fechar a sessão anterior com valorização de 0,49%, aos 184.108 pontos. Apesar do avanço recente, o índice ainda acumula queda semanal e mensal de 1,71%, enquanto no ano sobe mais de 14%.

Oriente Médio volta ao radar global e sustenta cautela

O principal fator de atenção dos investidores segue sendo a escalada das tensões no Oriente Médio. O Irã apresentou no domingo uma proposta para encerrar os conflitos regionais, incluindo as frentes envolvendo Israel e Hezbollah, no Líbano. Entre as exigências iranianas estavam compensações por danos de guerra, garantias de soberania no Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval norte-americano.

A proposta, entretanto, foi rejeitada pelos Estados Unidos. O presidente norte-americano Donald Trump classificou os termos apresentados como “totalmente inaceitáveis”, ampliando a percepção de risco geopolítico internacional.

Com isso, o dólar ganhou força frente a moedas fortes como euro, libra esterlina e iene, além de avançar sobre divisas emergentes, como a rupia indiana e a lira turca. O movimento também elevou a volatilidade no mercado internacional de petróleo, já que o Estreito de Ormuz é uma das principais rotas globais de exportação da commodity.

Focus reduz projeção para dólar e mantém juros elevados

No cenário doméstico, o mercado repercute o novo Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. A mediana das projeções para o dólar no encerramento deste ano caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20. Há um mês, a expectativa era de R$ 5,37.

Para a taxa Selic, os economistas mantiveram a previsão de juros em 13% ao fim de 2026. Já para 2027, a projeção subiu de 11% para 11,25%, indicando que o mercado vê espaço mais limitado para cortes nos juros diante das pressões inflacionárias globais e dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre energia e commodities.

O elevado diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua sendo um dos principais fatores de sustentação do real. Atualmente, os juros norte-americanos permanecem na faixa entre 3,50% e 3,75%, muito abaixo da taxa brasileira, favorecendo operações de carry trade e atraindo investidores estrangeiros para ativos locais.

Banco Central atua no câmbio

O mercado também monitora a atuação do Banco Central brasileiro. Nesta manhã, a autoridade monetária realiza leilão de até 50 mil contratos de swap cambial tradicional, operação destinada à rolagem do vencimento previsto para 1º de junho.

A estratégia busca garantir liquidez ao mercado cambial e reduzir movimentos excessivos de volatilidade em meio ao ambiente externo mais sensível.

Agronegócio acompanha dólar e petróleo

Para o agronegócio brasileiro, o comportamento do dólar segue sendo um dos principais fatores de formação de preços. A manutenção da moeda norte-americana abaixo de R$ 4,90 reduz parcialmente a competitividade das exportações, mas ajuda a aliviar custos de insumos importados, fertilizantes e defensivos agrícolas.

Ao mesmo tempo, a tensão no Oriente Médio mantém o petróleo em evidência, fator que pode pressionar custos logísticos, combustíveis e fretes nas próximas semanas caso o conflito avance.

O mercado segue atento aos próximos desdobramentos geopolíticos, às sinalizações do Federal Reserve sobre juros nos Estados Unidos e ao fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil, que continuam determinando o rumo do dólar, da Bolsa e das commodities globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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