Publicado em: 08/05/2024 às 11:00hs
O dólar acelerou sua valorização frente ao real nesta quarta-feira, à medida que investidores aguardavam o desfecho da reunião de política monetária do Banco Central do Brasil (Copom), envolta em incertezas sobre o ritmo de afrouxamento da taxa de juros. Além disso, a tendência global de maior cautela também contribuiu para a queda do apetite por risco, impactando as moedas emergentes.
Às 10h18 (horário de Brasília), o dólar à vista subia 0,74%, sendo negociado a 5,1058 reais para venda. Na Bolsa de Valores B3, o contrato de dólar futuro com vencimento mais próximo registrava alta de 0,56%, cotado a 5,115 reais.
De acordo com Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos, a volatilidade do dólar reflete a ansiedade do mercado antes da decisão do Copom. "O mercado está aguardando a decisão do Copom, agendada para hoje. Há muita expectativa em relação aos próximos passos, especialmente no que diz respeito ao ritmo de redução da taxa de juros", disse Massote.
O momento é de incerteza quanto à magnitude do corte na taxa de juros pelo Copom nesta quarta-feira. Na última reunião, o Banco Central indicou que manteria o ritmo de redução em 0,50 ponto percentual, mas, desde então, o cenário global e doméstico mudou, levando o presidente do BC, Roberto Campos Neto, a sinalizar uma possível desaceleração para 0,25 ponto percentual. Essa mudança pegou o mercado de surpresa, alterando as expectativas dos investidores.
Operadores de contratos futuros de juros passaram a atribuir quase 90% de chance de um ajuste mais cauteloso, de 0,25 ponto percentual, enquanto anteriormente se esperava a continuidade do corte de meio ponto percentual. A recente publicação do boletim Focus também refletiu essa mudança de percepção, com a maioria dos economistas agora projetando uma redução mais modesta.
Um ritmo mais lento de corte nos juros normalmente seria positivo para o real, pois preservaria a atratividade da renda fixa para investidores estrangeiros. No entanto, alguns analistas advertem que, se o Banco Central desacelerar o afrouxamento devido a preocupações fiscais, isso poderia reverter qualquer benefício para a moeda nacional, já que a solidez das contas públicas é um fator crucial para a confiança dos investidores.
Adicionalmente, as incertezas fiscais foram agravadas pelo estado de calamidade no Rio Grande do Sul, afetado por enchentes devastadoras que deixaram pelo menos 95 mortos e 128 desaparecidos. O Congresso aprovou na terça-feira um decreto legislativo que reconhece o estado de calamidade no Rio Grande do Sul, permitindo o envio de recursos federais ao Estado sem afetar a meta fiscal do governo ou violar a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Com todas essas questões em jogo, o mercado segue cauteloso, aguardando a conclusão da reunião do Copom e as orientações futuras para a política monetária. Na véspera, o dólar à vista fechou a 5,0681 reais para venda, uma leve queda de 0,13%.
Fonte: Portal do Agronegócio
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