Publicado em: 22/07/2024 às 11:06hs
Nesta segunda-feira, o dólar apresentou queda em consonância com seu desempenho em mercados emergentes, enquanto investidores absorviam a notícia da desistência do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de concorrer à reeleição. Às 9h33, o dólar à vista caía 0,51%, sendo vendido a 5,5761 reais. Na B3, o contrato de dólar futuro com primeiro vencimento recuava 0,32%, cotado a 5,600 reais.
Os mercados globais ainda processavam o anúncio de Biden feito no domingo, onde, em comunicado oficial, ele declarou que não buscará um novo mandato na eleição de novembro. Minutos depois, nas redes sociais, Biden confirmou seu apoio à vice-presidente Kamala Harris como candidata do Partido Democrata.
Nas últimas semanas, aumentaram as apostas na vitória do candidato republicano, Donald Trump, impulsionadas pelas dúvidas sobre a capacidade de Biden de governar por mais quatro anos. A tentativa de assassinato de Trump em 13 de julho também fez com que analistas aumentassem a probabilidade de vitória do ex-presidente nas eleições.
A perspectiva de um novo mandato de Trump na presidência dos EUA havia reduzido o apetite por risco nos mercados emergentes. Receios de uma política comercial restritiva e uma postura externa isolacionista pressionaram diversas moedas, incluindo o real, ao mesmo tempo em que elevaram os rendimentos dos Treasuries.
O rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, caiu 2 pontos-base nesta segunda-feira, atingindo 4,217%.
Com o anúncio de Biden, as moedas emergentes recuperaram ganhos em relação ao dólar, que apresentou leves quedas frente ao peso mexicano e ao rand sul-africano. "A desistência de Biden é uma ótima notícia para os mercados, já que o retorno dos doadores do Partido Democrata torna a vitória de Trump mais incerta. Com o 'Trump trade' sendo desfeito hoje, o dólar e os Treasuries estão cedendo", comentou Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.
No cenário nacional, o mercado aguardava nesta segunda-feira a divulgação do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, às 15h30, onde o governo detalhará o contingenciamento de 15 bilhões de reais no orçamento, anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na semana passada.
Na semana anterior, investidores demonstraram crescente preocupação com o ajuste das contas públicas brasileiras, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionar o cumprimento do arcabouço fiscal caso surgissem "coisas mais importantes para fazer", levando o dólar a superar novamente a marca de 5,60 reais. Declarações conciliadoras de membros do governo e o anúncio de Haddad pouco fizeram para aliviar os temores dos investidores. Na sexta-feira, o dólar à vista encerrou o dia cotado a 5,6046 reais, com alta de 0,28%.
Analistas consultados pelo Banco Central elevaram novamente a expectativa para a alta do IPCA ao fim deste ano, superando os 4%, e também aumentaram a projeção para o dólar neste e no próximo ano, conforme a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira. A expectativa para o IPCA ao término deste ano subiu para 4,05%, em comparação aos 4,00% da semana anterior. A pesquisa semanal indicou ainda que a taxa de câmbio agora é projetada em 5,30 reais ao fim de 2024, ante 5,22 reais na semana anterior. Para o próximo ano, a projeção para o valor do dólar passou a 5,23 reais, frente aos 5,20 reais anteriores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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