Dólar cai abaixo de R$ 4,95 e Ibovespa avança; câmbio pressiona margem do produtor rural
Mercado mantém reação ao primeiro turno das eleições, mas valorização do real pode reduzir receitas agrícolas antes de aliviar custos com insumos
Publicado em: 06/10/2026 às 11:05hs
O dólar voltou a cair nesta terça-feira (6), sendo negociado abaixo de R$ 4,95, enquanto o Ibovespa avançava após o forte movimento de valorização dos ativos brasileiros na véspera. O mercado segue acompanhando os desdobramentos do primeiro turno das eleições presidenciais e o enfraquecimento da moeda americana no exterior.
Na atualização publicada pelo UOL às 10h16, no horário de Brasília, o dólar comercial para venda era cotado a R$ 4,946, com queda de 1,11%. O Ibovespa, por sua vez, registrava aproximadamente 208.954 pontos às 10h15, mantendo o movimento positivo após o recorde de fechamento de segunda-feira. As cotações são parciais e variam durante o pregão.
Para o agronegócio, a valorização do real produz efeitos em momentos diferentes: pode pressionar os preços recebidos pela produção antes que uma eventual redução dos custos dolarizados chegue às propriedades.
Eleições sustentam valorização dos ativos brasileiros
Na segunda-feira (5), o dólar à vista encerrou a sessão em R$ 5,0022, com recuo de 4,12%. O Ibovespa subiu 7,70%, fechando na faixa de 206,9 mil pontos e superando pela primeira vez os 200 mil pontos no encerramento de um pregão.
A reação foi associada por profissionais do mercado ao desempenho de Flávio Bolsonaro (PL), que ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, e à composição do Congresso.
Segundo as avaliações reunidas pela CNN Brasil, investidores passaram a atribuir maior possibilidade a mudanças na condução fiscal e à aprovação de reformas. Essa percepção também favoreceu a queda dos juros futuros. O movimento expressa expectativas dos agentes financeiros, cuja evolução dependerá dos próximos sinais políticos e econômicos.
Queda global do dólar reforça movimento no Brasil
Nesta terça-feira, o recuo da moeda americana também encontra apoio no ambiente internacional. O dólar perdeu força diante de outras divisas, contribuindo para a continuidade da valorização do real.
Na abertura, o contrato futuro de dólar para novembro, o mais líquido do mercado brasileiro, também operava em baixa. Em levantamento publicado às 10h pela IstoÉ Dinheiro, o contrato registrava queda de 0,71%, a R$ 4,9885. Essa referência corresponde ao mercado futuro e difere da cotação à vista.
Os juros futuros brasileiros mantinham recuos em parte da curva, enquanto investidores acompanhavam a agenda da balança comercial e o comportamento dos ativos internacionais.
Insumos comprados com dólar alto podem pesar na margem
O principal ponto de atenção para o produtor está no intervalo entre a contratação dos custos e a comercialização da safra.
Bruno Capuzzi, pesquisador do Insper Agro Global, explicou ao Notícias Agrícolas que parcela importante das despesas agrícolas é influenciada pelo dólar, especialmente pela dependência brasileira de fertilizantes importados. Ao mesmo tempo, produtos destinados à exportação têm preços relacionados à moeda americana.
Assim, quem adquiriu insumos com um câmbio mais elevado e ainda possui produção sem preço definido pode enfrentar uma combinação desfavorável: custos já contratados em patamares altos e receitas pressionadas por um dólar mais baixo.
Segundo Capuzzi, a permanência do câmbio em níveis menores pode beneficiar compras futuras, especialmente as destinadas à safrinha. Esse alívio, entretanto, não altera automaticamente as despesas já assumidas.
Real valorizado reduz competitividade das exportações
Eduardo Vanin, analista da Agrinvest, destaca que a valorização do real tende a reduzir a competitividade das commodities brasileiras. Mantido o preço doméstico em reais, o produto passa a custar mais em dólares para o comprador internacional.
O efeito é relevante para mercados ligados à paridade de exportação. No milho, soma-se à concorrência de Argentina e Estados Unidos e ao ritmo dos embarques brasileiros, inferior ao do ano passado, conforme a avaliação apresentada pelo analista.
Yeda Monteiro, analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro, também apontou essa influência sobre os preços agrícolas. Na segunda-feira, os futuros de milho na B3 recuavam durante parte da sessão, mesmo com ganhos em Chicago naquele momento.
Alívio nos custos depende das próximas compras
A moeda americana mais barata também pode abrir oportunidades para avaliar aquisições ou fixações de componentes dolarizados dos custos, segundo Yeda. Fertilizantes e outros insumos entram nessa análise, conforme as condições comerciais disponíveis.
O resultado para cada propriedade depende do volume de insumos já contratado, da parcela da safra ainda sem preço definido e do momento das próximas negociações.
Para produtores expostos às duas pontas, o desafio é acompanhar receitas e despesas em conjunto. A pressão sobre o valor da produção pode chegar antes do benefício sobre os custos, tornando o calendário de compras e vendas decisivo para a margem da atividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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