Dólar cai a R$ 5,09 e Ibovespa supera 188 mil pontos com fluxo estrangeiro e cenário político no radar
Moeda americana recua pela quarta sessão consecutiva, enquanto a Bolsa brasileira amplia ganhos; dados de emprego dos Estados Unidos, votações no Congresso e alta do petróleo movimentam os mercados
Publicado em: 03/09/2026 às 11:00hs
O dólar comercial opera em queda nesta quinta-feira (3), mantendo a trajetória de desvalorização diante do real pelo quarto pregão consecutivo. O mercado financeiro acompanha a entrada de capital estrangeiro no Brasil, os próximos indicadores econômicos dos Estados Unidos e as movimentações políticas no Congresso Nacional.
Às 10h20, a moeda americana era negociada a R$ 5,099 para venda, com baixa de 0,18%. Mais cedo, por volta das 9h20, o dólar chegou a R$ 5,0820, recuo de 0,52%.
Na Bolsa brasileira, o Ibovespa abriu em forte alta e avançava 1,5%, aos 188.124 pontos, renovando máximas e ampliando o movimento positivo da sessão anterior. As cotações são intradiárias e podem oscilar ao longo do pregão. UOL Economia
Dólar acumula queda na semana, no mês e em 2026
A moeda americana fechou a quarta-feira (2) cotada a R$ 5,1085, com desvalorização de 0,91%. O desempenho refletiu a melhora da percepção de risco doméstico e o aumento do interesse de investidores estrangeiros por ativos brasileiros.
Com o movimento desta quinta-feira, o dólar aprofundou as perdas acumuladas:
- Semana: queda de 1,68%;
- Setembro: recuo de 1,37%;
- Ano de 2026: desvalorização de 6,93%.
O comportamento do câmbio é especialmente relevante para o agronegócio. Um dólar mais baixo pode reduzir os custos de fertilizantes, defensivos, máquinas e outros insumos importados. Em contrapartida, diminui a receita em reais obtida por exportadores de soja, milho, café, açúcar, algodão e proteínas animais.
Ibovespa ultrapassa 188 mil pontos após disparada de 3%
O Ibovespa iniciou o dia dando continuidade à forte valorização registrada na véspera. Na quarta-feira, o principal índice da B3 avançou 3,05% e encerrou aos 185.205 pontos.
A Bolsa acumula ganhos expressivos:
- Semana: alta de 5,43%;
- Setembro: valorização de 4,39%;
- Ano de 2026: avanço de 14,94%.
O mercado brasileiro foi favorecido pelo ingresso de recursos estrangeiros e pela valorização de empresas de grande peso no índice. Petrobras e Vale estiveram entre os principais destaques, acompanhando, respectivamente, a alta do petróleo e o movimento do minério de ferro.
A Petrobras ganhou impulso adicional com a escalada das cotações internacionais do petróleo, enquanto bancos, varejistas e companhias mais sensíveis aos juros também participaram do movimento de alta.
Cenário político influencia dólar e Bolsa no Brasil
No ambiente doméstico, investidores continuam avaliando o cenário eleitoral e seus possíveis efeitos sobre a política econômica, as contas públicas e a trajetória dos juros.
O Congresso também permanece no radar. Entre os temas em tramitação está a medida provisória que altera a tributação das compras internacionais de até US$ 50. O texto passou por comissão mista e ainda depende da análise dos plenários da Câmara e do Senado.
As votações são acompanhadas de perto porque decisões envolvendo tributação e gastos públicos podem alterar as projeções para o resultado fiscal, a dívida pública, a inflação e a taxa Selic.
Dados dos Estados Unidos podem definir rumo dos juros
No exterior, a atenção está concentrada nos indicadores do mercado de trabalho norte-americano. Nesta quinta-feira, investidores avaliam dados sobre pedidos de seguro-desemprego e balança comercial.
O principal destaque da semana será o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll, previsto para sexta-feira (4). O documento mostrará a criação de vagas, a taxa de desemprego e o comportamento dos salários.
Números mais fortes podem reforçar a possibilidade de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos. Dados mais fracos, por outro lado, tendem a ampliar as expectativas de flexibilização monetária pelo Federal Reserve.
Essa avaliação influencia diretamente o dólar, os títulos do Tesouro americano, as Bolsas e os preços internacionais das commodities agrícolas.
Petróleo se aproxima de US$ 100 e aumenta pressão inflacionária
O petróleo também ocupa posição central no mercado financeiro. Por volta das 10h, o Brent avançava 1,7%, cotado a US$ 97,24 por barril, maior nível desde o começo de junho. UOL Economia
A valorização ocorre em meio à intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã e às restrições à navegação pelo Estreito de Hormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
O encarecimento da energia aumenta o risco de inflação global e pode pressionar custos de diesel, fretes, fertilizantes e operações agrícolas. Esse cenário também pode dificultar cortes de juros nos Estados Unidos e na Europa.
Bolsas internacionais operam sem direção única
Os mercados globais apresentaram comportamento misto nesta quinta-feira. Antes da abertura de Wall Street, os contratos futuros mostravam pouca variação:
- Dow Jones: alta de 0,16%;
- S&P 500: avanço de 0,04%;
- Nasdaq: queda de 0,06%.
Na sessão anterior, o Dow Jones ganhou 0,56%, o S&P 500 avançou 0,46% e o Nasdaq subiu 0,45%.
Na Europa, o índice Stoxx 600 avançava cerca de 0,2%, recuperando parte das perdas acumuladas nas três sessões anteriores. O alívio nos rendimentos dos títulos públicos ajudava as ações, embora o petróleo elevado continuasse alimentando preocupações com inflação e juros. Reuters
Na Ásia, o fechamento foi misto. O Nikkei, de Tóquio, caiu 0,17%; o índice de Xangai avançou 0,02%; Shenzhen ficou praticamente estável; e o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,39%.
Câmbio, juros e petróleo exigem atenção do agronegócio
Para o produtor rural e as empresas do setor, o cenário combina efeitos distintos. A queda do dólar pode favorecer a compra de insumos importados, mas pressiona a conversão das receitas das exportações para reais.
Ao mesmo tempo, a alta do petróleo pode elevar custos logísticos e estimular a demanda por biocombustíveis, como etanol e biodiesel. Já as decisões dos bancos centrais influenciam o crédito rural, o financiamento de máquinas, a armazenagem e as estratégias de comercialização das próximas safras.
Nas próximas horas, a direção do dólar e do Ibovespa dependerá da reação aos indicadores dos Estados Unidos, do fluxo estrangeiro, das notícias políticas em Brasília e dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Fonte: Portal do Agronegócio
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