Publicado em: 16/04/2026 às 11:05hs
O Brasil pode alcançar uma dívida pública equivalente a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) já no primeiro ano do próximo governo, segundo o Monitor Fiscal do Fundo Monetário Internacional (FMI). O indicador é considerado essencial para a avaliação da credibilidade do país no cenário internacional.
De acordo com o relatório divulgado nesta quarta-feira (15), o Brasil deve atingir esse patamar antes da média global, cuja previsão é chegar ao mesmo nível até 2029 — antecipando em um ano a estimativa anterior.
Mais do que o volume da dívida, investidores estrangeiros e agentes do mercado financeiro monitoram a capacidade de pagamento do país. Nesse ponto, o cenário também gera preocupação.
Apesar de o governo cumprir as metas estabelecidas pelo Arcabouço Fiscal, isso tem ocorrido dentro da margem de tolerância. O resultado é sustentado por fatores como aumento da arrecadação e exclusão de despesas específicas do limite fiscal, como os precatórios.
O FMI destaca que a trajetória da dívida pública brasileira apresenta deterioração desde 2023, início do atual mandato presidencial. A expectativa é que o endividamento alcance 96,5% do PIB ainda neste ano.
O avanço reforça o sinal de alerta sobre a sustentabilidade das contas públicas e amplia a pressão por ajustes fiscais.
Dados do Prisma Fiscal de abril, divulgados pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, indicam leve melhora nas expectativas de curto prazo.
A previsão para o déficit primário de 2024 recuou de R$ 65,959 bilhões para R$ 59,019 bilhões. Já a estimativa da dívida bruta do governo geral (DBGG) foi revisada de 83,41% para 83,28% do PIB.
Para 2027, a projeção também apresentou ajuste, passando de 86,75% para 86,60% do PIB.
O cálculo do FMI difere do adotado pelo governo brasileiro. O Fundo inclui, por exemplo, os títulos do Tesouro Nacional que estão em poder do Banco Central, o que eleva o nível da dívida e permite comparações mais amplas entre países.
As novas projeções indicam que o Brasil pode ultrapassar o nível de endividamento observado em 2020, durante a pandemia, quando houve flexibilização das políticas fiscais. Naquele período, a dívida chegou a cerca de 96% do PIB.
Agora, o cenário é mais desafiador. O FMI projeta que a dívida pode alcançar 105,5% do PIB no início da próxima década, acima dos 98,1% estimados anteriormente.
O aumento da dívida pública traz efeitos diretos sobre a economia. O desequilíbrio fiscal pressiona a inflação e contribui para a manutenção de juros elevados, o que encarece o custo da dívida.
Além disso, o cenário limita o crescimento econômico e reduz o espaço para investimentos públicos, afetando setores estratégicos e a capacidade de expansão da economia.
Caso não haja mudanças na condução da política fiscal, o FMI estima que a dívida brasileira poderá atingir 106,5% do PIB até 2031. Isso representaria um aumento de 12,6 pontos percentuais ao longo do atual governo.
No período anterior, a variação foi inferior a 1 ponto percentual, segundo dados do organismo internacional.
O Fundo também revisou suas expectativas para o resultado primário das contas públicas e não projeta superávit até o fim do atual governo.
Para este ano, a estimativa é de déficit primário de 0,5% do PIB, acima dos 0,4% registrados no ano anterior. A melhora deve ocorrer gradualmente a partir de 2027, com déficit de 0,4%.
O retorno ao superávit está previsto apenas para 2028, quando o saldo positivo deve atingir 0,1% do PIB, já no segundo ano do próximo governo.
Diante desse cenário, o FMI e analistas de mercado reforçam a necessidade de mudanças na gestão das contas públicas. O objetivo é conter o avanço da dívida e reduzir os impactos negativos sobre a economia brasileira nos próximos anos, especialmente em um ambiente de juros elevados e restrições fiscais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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