Mercado Financeiro

Crédito rural cresce 6% e CPR ganha destaque com salto de 37% na safra 2025/26

Alta nas Cédulas de Produto Rural impulsiona o financiamento do agronegócio e reforça mudança no perfil de crédito do setor


Publicado em: 12/02/2026 às 20:00hs

Crédito rural cresce 6% e CPR ganha destaque com salto de 37% na safra 2025/26
Crédito rural soma R$ 316,57 bilhões e reforça apoio ao agronegócio

O crédito rural empresarial manteve trajetória positiva na safra 2025/2026. De acordo com dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, entre julho de 2025 e janeiro de 2026 foram contratados R$ 316,57 bilhões, um avanço de 6% sobre o mesmo período da safra anterior.

Os valores já efetivamente liberados chegaram a R$ 307,11 bilhões, crescimento de 3% em relação ao ciclo 2024/2025.

CPR impulsiona o financiamento da produção agrícola

O principal motor desse crescimento foi a Cédula de Produto Rural (CPR), que apresentou alta expressiva de 37%, totalizando R$ 143,22 bilhões.

Como boa parte desses recursos é direcionada ao custeio das lavouras, o somatório entre custeio tradicional e CPR atingiu R$ 241,38 bilhões, representando aumento de 10% frente à safra anterior.

Investimentos recuam em meio a cenário de cautela

Na contramão do avanço da CPR, o crédito voltado a investimentos sofreu retração de 20%, totalizando R$ 35,41 bilhões em contratos.

O Programa de Construção de Armazéns (PCA) manteve desempenho praticamente estável, com leve queda de 1%.

Segundo o Banco Central, o cenário mais restritivo reflete tanto a demanda seletiva dos produtores, focados no custeio imediato, quanto a postura mais conservadora das instituições financeiras, diante da Selic em 15% ao ano. Apesar disso, o mercado projeta redução superior a dois pontos percentuais até o fim de 2026.

Industrialização cresce e comercialização desacelera

As linhas de comercialização totalizaram R$ 20,56 bilhões, uma queda de 10%.

Já os financiamentos voltados à industrialização tiveram desempenho oposto, alcançando R$ 19,22 bilhões, com alta de 45% — movimento que demonstra maior interesse dos produtores em agregar valor e investir no beneficiamento da produção agrícola.

Fontes de recursos apresentam variação expressiva

As fontes controladas somaram R$ 92,26 bilhões, queda de 7%. Entre elas, destacam-se:

  • Recursos obrigatórios: R$ 30,89 bilhões (-6%)
  • LCA controlada: R$ 24,60 bilhões (+4.649%)
  • Poupança rural controlada: R$ 12,73 bilhões (-8%)
Fundos constitucionais: R$ 11,74 bilhões, com variação entre regiões

Já as fontes não controladas chegaram a R$ 71,63 bilhões, uma redução de 25%, influenciada principalmente pela LCA livre (R$ 37,41 bilhões, -33%) e pela poupança rural livre (R$ 30,35 bilhões, +21%).

Menor número de contratos revela mudança no perfil de crédito

O número total de contratos caiu 24%, passando de 445.156 para 337.548 operações. A redução foi mais acentuada entre os produtores da agricultura empresarial (-38%) e nas operações de CPR (-14%).

O Pronamp também registrou retração de 18%, com 133.261 contratos firmados.

Apesar da diminuição no número de operações, o semestre confirma a força da CPR como principal instrumento de financiamento do campo. A participação desse título no total de crédito rural saltou de 34% para 47%, evidenciando uma mudança estrutural no modelo de captação de recursos do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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