Publicado em: 19/03/2026 às 18:20hs
A decisão do Banco Central do Brasil, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta semana foi considerada correta, porém insuficiente para impulsionar a economia, segundo avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
De acordo com a entidade, a medida ainda não é capaz de interromper a desaceleração da atividade econômica, destravar investimentos ou reduzir o nível de endividamento de famílias e empresas — reflexos de uma política monetária considerada restritiva.
Para Ricardo Alban, presidente da CNI, o cenário atual da inflação já permitiria uma redução mais significativa da taxa básica de juros.
Segundo ele, a desaceleração dos preços e a ancoragem das expectativas dentro da meta reforçam a necessidade de uma atuação mais incisiva do Banco Central.
A entidade defende que o Copom intensifique o ritmo de cortes já na próxima reunião, prevista para o fim de abril, como forma de estimular investimentos, aliviar o endividamento e retomar o crescimento econômico.
Os dados recentes indicam um cenário de inflação sob controle. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até fevereiro recuou para 3,81%, frente aos 4,44% registrados anteriormente.
Além disso, as projeções do mercado seguem dentro do intervalo da meta de inflação, conforme estimativas que apontam:
Mesmo diante de pressões externas, como a alta do petróleo influenciada por tensões geopolíticas, a CNI avalia que há espaço para cortes mais robustos sem comprometer a estabilidade de preços.
Mesmo com a redução recente, a Selic permanece em patamar elevado, atualmente em 14,75% ao ano. Isso resulta em uma taxa de juros real de cerca de 10,4% ao ano, significativamente acima da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central, em torno de 5%.
Segundo cálculos da CNI, o nível atual dos juros está cerca de 4,6 pontos percentuais acima do necessário para equilibrar crescimento econômico e controle inflacionário.
O Brasil, inclusive, segue entre os países com maiores juros reais do mundo, de acordo com levantamento do Bradesco.
A manutenção de juros elevados por um período prolongado tem impactado diretamente o desempenho da economia brasileira.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3% em 2025, abaixo dos 3,4% registrados em 2024.
O consumo das famílias também perdeu ritmo, com crescimento reduzido de 5,1% para 1,3% no mesmo período. Já os investimentos desaceleraram de 6,9% para 2,9%.
O cenário de crédito caro tem elevado o comprometimento da renda das famílias com dívidas.
Segundo dados do Banco Central, o percentual da renda comprometida com empréstimos subiu de 47,7% em dezembro de 2023 para 49,7% em dezembro de 2025.
Além disso, a inadimplência das pessoas físicas também aumentou, passando de 3,7% em janeiro de 2024 para 5,2% em janeiro de 2026, refletindo o impacto dos juros elevados sobre o orçamento das famílias.
O ambiente de juros altos também pressiona o caixa das empresas, elevando o custo do crédito e dificultando a rolagem de dívidas.
Como consequência, o número de pedidos de recuperação extrajudicial tem crescido, com negociações que já ultrapassam R$ 100 bilhões — um recorde histórico.
Esse movimento evidencia a dificuldade das empresas em lidar com o atual cenário financeiro, reforçando a avaliação da CNI sobre a necessidade de uma política monetária menos restritiva.
Para a CNI, uma flexibilização mais intensa da taxa de juros é fundamental para restabelecer o crescimento sustentável da economia brasileira.
A entidade avalia que a redução mais acelerada da Selic pode melhorar as condições de investimento, estimular o consumo e contribuir para a recuperação da produtividade e do bem-estar social no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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