Publicado em: 17/03/2026 às 11:15hs
O Banco Central do Brasil inicia mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana ainda com dois cargos vagos em sua diretoria. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, esse cenário pode se prolongar por várias reuniões, refletindo dificuldades políticas no Senado para avançar com novas indicações.
O ambiente político no Senado segue desafiador para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dificultando a sabatina e aprovação de novos diretores do Banco Central. As etapas são obrigatórias e passam pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e pelo plenário da Casa.
Mesmo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tendo apresentado sugestões ainda em dezembro para as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro, o processo segue sem avanços concretos.
O cenário político também é impactado por investigações conduzidas pela Polícia Federal do Brasil envolvendo o Banco Master.
A instituição foi liquidada pelo Banco Central em novembro, em meio a uma crise de liquidez e suspeitas de irregularidades. O caso aumentou a tensão política e elevou o nível de cautela em torno de novas indicações.
Com o calendário legislativo impactado pelo recesso parlamentar e pelas eleições gerais, fontes não descartam que o Copom continue deliberando com apenas sete dos nove integrantes por um período prolongado.
Se confirmado, o cenário será inédito, com vagas abertas não por afastamentos temporários, mas pela ausência de nomeações formais.
Segundo relatos, o preenchimento das vagas no Banco Central não tem sido tratado como prioridade pelo governo federal. A situação contrasta com críticas anteriores feitas por Lula à composição herdada da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, em função da lei de autonomia da autoridade monetária.
Na prática, o presidente pode atravessar boa parte do último ano de seu mandato sem efetivar novas indicações, deixando a decisão para a próxima gestão.
Atualmente, áreas estratégicas do Banco Central operam sob comando interino:
Os nomes sugeridos por Haddad — Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti — enfrentaram resistência no mercado.
As críticas envolvem a proximidade de Mello com o Partido dos Trabalhadores (PT), além de sua formação considerada heterodoxa. Também há questionamentos sobre a experiência dos indicados na interlocução com o mercado financeiro, aspecto visto como relevante especialmente para a diretoria de Política Econômica.
Até o momento, o presidente não confirmou nem descartou oficialmente os nomes.
Outro fator que contribui para o impasse é a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal.
A escolha enfrenta resistência no Senado e gerou desconforto com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga.
O governo avalia, inclusive, o risco de rejeição do indicado, o que contribui para o atraso em outras decisões relevantes.
Diante das incertezas políticas e institucionais, fontes avaliam que a situação pode permanecer sem definição até o final do ano. Enquanto isso, o Copom segue tomando decisões importantes para a política monetária com quadro incompleto, fator que mantém o mercado atento aos próximos movimentos da autoridade monetária.
Fonte: Portal do Agronegócio
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