Publicado em: 19/03/2026 às 11:27hs
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, nesta quinta-feira (19/03/2026), reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 15% para 14,75% ao ano. A decisão foi unânime e alinhada às expectativas do mercado.
No comunicado, o Copom destacou que o ambiente externo se tornou mais incerto devido ao acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, que afetam diretamente as condições financeiras globais e o preço de commodities. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em um contexto de maior volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirmou a nota.
O Comitê reforçou que acompanha os efeitos da política fiscal doméstica sobre a política monetária e os ativos financeiros, mantendo postura cautelosa diante da maior incerteza econômica. Indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração na atividade econômica, expectativas de inflação ainda elevadas e pressões no mercado de trabalho.
O Copom considera os efeitos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, especialmente sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities, que influenciam diretamente a inflação brasileira. Segundo o comunicado:
O Comitê enfatizou que a decisão visa convergência da inflação para a meta, suavização das flutuações da atividade econômica e fomento ao pleno emprego.
Segundo o Copom, os riscos para a inflação se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio:
Riscos de alta:
Riscos de baixa:
No Brasil, os indicadores seguem mostrando moderação no crescimento econômico, enquanto o mercado de trabalho ainda demonstra resiliência. Medidas de inflação, tanto a cheia quanto subjacente, registram arrefecimento, mas permanecem acima da meta estipulada pelo Banco Central.
O Copom reafirma que o ciclo de calibração da Selic será conduzido com cautela, incorporando novas informações sobre os impactos globais e domésticos, garantindo estabilidade de preços ao longo do tempo.
Para Gustavo Silva, sócio-fundador da Private Investimentos, o cenário mudou devido às incertezas no Oriente Médio, volatilidade do petróleo e impactos na inflação global. Ele aponta que medidas do Governo, como subsídio ao diesel, ajudam a reduzir pressões inflacionárias.
“O acompanhamento do balanço de risco com objetivo de convergência da inflação para o centro da meta no horizonte de 12 meses — até o 2º trimestre de 2027 — demonstra cautela e serenidade para os futuros passos de calibração da Selic”, afirmou Silva.
Ele também destacou que a ameaça de greve dos caminhoneiros representa um vetor adicional de pressão sobre a inflação, exigindo atenção contínua por parte do Comitê.
Fonte: Portal do Agronegócio
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