Mercado Financeiro

Copom deve manter Selic em 15% e sinalizar início de cortes de juros em março, apontam analistas

Mercado aposta em manutenção da taxa básica nesta reunião, mas prevê redução gradual dos juros a partir do próximo encontro do Banco Central


Publicado em: 27/01/2026 às 11:20hs

Copom deve manter Selic em 15% e sinalizar início de cortes de juros em março, apontam analistas
Mercado espera manutenção da taxa básica de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realiza reunião nesta terça (27) e quarta-feira (28) para definir o rumo da taxa básica de juros, a Selic, válida para os próximos 45 dias. A decisão será anunciada na quarta, a partir das 18h30.

De acordo com a ampla maioria dos economistas, o Copom deverá manter a Selic em 15% ao ano, conforme consenso do mercado financeiro. As atenções estarão voltadas ao comunicado do Banco Central, que pode trazer sinais mais claros sobre o início do ciclo de cortes de juros, esperado para março.

Expectativas indicam início da flexibilização em março

O boletim Focus, divulgado pelo BC nesta segunda-feira (26), mostra que as instituições financeiras mantêm a projeção de Selic em 12,25% ao final de 2026.

A expectativa dos investidores é de que o comunicado do Copom reforce a confiança no controle da inflação e abra espaço para reduções graduais da taxa básica a partir do próximo encontro.

Segundo a SulAmérica Investimentos, o cenário segue compatível com as projeções do Banco Central — de desaceleração gradual da economia e da inflação —, mas o mercado de trabalho ainda é um ponto de atenção. “A taxa de desemprego em mínimas históricas ainda representa risco para a desinflação, especialmente nos serviços”, destacou a instituição.

A gestora prevê que o Copom manterá a Selic em 15%, mas poderá sinalizar de forma mais clara que o ciclo de flexibilização terá início em março.

Itaú reforça visão de cautela do Banco Central

A equipe de economistas do Itaú Unibanco também revisou sua expectativa, adiando o primeiro corte de juros — de 25 pontos-base — da reunião de janeiro para março.

Segundo o banco, o adiamento se deve à necessidade de o Copom ganhar mais confiança na trajetória de desinflação e evitar movimentos considerados precipitados.

“Um início de ciclo com postura menos conservadora poderia colocar em risco a credibilidade conquistada pelo BC”, afirmou o Itaú.

O banco ainda destaca que as vacâncias no Comitê podem levar a uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

O Itaú prevê que o comunicado do Copom trará ajustes sutis na comunicação, reforçando a confiança na estratégia atual e adotando um tom de ‘paciência e serenidade’, o que reduziria as chances de cortes mais agressivos de juros.

XP vê melhora nas expectativas inflacionárias

Para a XP Investimentos, os indicadores econômicos não mostraram mudanças significativas desde a última reunião do Copom, em dezembro.

A corretora projeta que o Banco Central mantenha a Selic em 15% nesta semana, mas indique de forma mais explícita a possibilidade de iniciar cortes em março.

A XP também prevê que a projeção de inflação do 3º trimestre de 2027 recue de 3,2% para 3,1%, refletindo o avanço das expectativas de mercado.

O cenário-base da XP considera cinco cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual a partir de março, levando a Selic para 12,50% ao ano e uma pausa no segundo semestre para reavaliação do ritmo de flexibilização.

Conclusão: mercado aguarda sinal de virada na política monetária

Com consenso em torno da manutenção da Selic em 15%, o foco do mercado está totalmente voltado à comunicação do Copom. Analistas esperam que o Banco Central confirme o início do ciclo de cortes em março, caso o cenário de inflação siga em desaceleração e a confiança nas projeções aumente.

Fonte: Portal do Agronegócio

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