Publicado em: 18/03/2026 às 11:17hs
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza nesta quarta-feira (18) sua segunda reunião de 2026 em um cenário de elevada incerteza global. A recente alta do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio, e seus reflexos sobre os combustíveis colocam pressão adicional sobre a inflação brasileira. Ainda assim, o mercado financeiro projeta o início do ciclo de redução da taxa básica de juros após um período prolongado de aperto monetário.
Atualmente em 15% ao ano — maior nível desde 2006 —, a taxa Selic pode ser reduzida pela primeira vez em cerca de dois anos. De acordo com o boletim Focus, a expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando os juros para 14,75% ao ano.
Antes do agravamento do cenário internacional, parte dos analistas projetava uma redução mais intensa, de até 0,5 ponto percentual. No entanto, a escalada nos preços do petróleo reduziu a margem para movimentos mais agressivos por parte do Banco Central.
Entre setembro de 2024 e junho de 2025, o Banco Central elevou a Selic em sete reuniões consecutivas, em resposta ao avanço da inflação. Desde então, a taxa foi mantida estável nas quatro últimas decisões do Copom.
A possível redução nesta reunião sinaliza uma mudança de estratégia, com o início de um ciclo gradual de flexibilização monetária.
A inflação segue como principal variável no radar do Copom. O IPCA-15, prévia da inflação oficial, avançou 0,7% em fevereiro, pressionado principalmente pelos custos com educação.
Por outro lado, o índice acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024, o que reforça sinais de desaceleração.
Apesar disso, as projeções para 2026 foram revisadas para cima. O boletim Focus aponta inflação de 4,1%, ante 3,8% anteriormente, refletindo os impactos do cenário externo, especialmente sobre energia e combustíveis.
Desde janeiro de 2025, o Brasil opera sob o regime de meta contínua de inflação. A meta central é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Nesse modelo, a inflação é avaliada mês a mês com base no acumulado em 12 meses, tornando o acompanhamento mais dinâmico e alinhado às condições econômicas atuais.
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controle da inflação. Juros elevados encarecem o crédito, desestimulam o consumo e ajudam a conter a alta de preços.
Por outro lado, a redução da taxa tende a baratear o crédito, estimular investimentos e impulsionar a atividade econômica — fator relevante para setores produtivos, como o agronegócio, que dependem de financiamento e capital de giro.
A decisão desta quarta-feira ocorre com o Copom desfalcado. Os mandatos dos diretores Renato Gomes e Paulo Pichetti se encerraram no fim de 2025, e os substitutos ainda não foram indicados ao Congresso.
Mesmo com a composição incompleta, a decisão será anunciada no início da noite, após o encerramento da reunião.
A possível queda da Selic é acompanhada de perto pelo agronegócio, já que impacta diretamente o custo do crédito rural, investimentos em produção e logística.
O Banco Central deve divulgar no fim de março o novo Relatório de Política Monetária, que poderá trazer revisões nas projeções para a inflação e sinalizações mais claras sobre o ritmo dos próximos cortes.
Diante de um cenário global ainda instável, o comportamento da inflação, do câmbio e das commodities seguirá determinando os próximos passos da política monetária brasileira.
Resumo: O Copom deve iniciar de forma cautelosa o ciclo de redução da Selic, equilibrando o estímulo à economia com os riscos inflacionários ainda presentes, especialmente diante da pressão internacional sobre os preços de energia.
Fonte: Portal do Agronegócio
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