Mercado Financeiro

Copom destaca surpresas na inflação, impacto das enchentes e cenário externo desafiador

Comitê Avalia Crescimento Econômico e Ações Necessárias para Controle da Inflação


Publicado em: 25/06/2024 às 10:40hs

Copom destaca surpresas na inflação, impacto das enchentes e cenário externo desafiador

Nos últimos trimestres, a atividade econômica apresentou um crescimento maior do que o esperado em diferentes componentes da demanda, segundo a ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada entre 17 e 18 de junho. O documento aponta surpresas altistas na inflação e destaca um cenário mais desafiador para o controle inflacionário, com preocupação especial quanto ao impacto das enchentes no Rio Grande do Sul e o clima adverso no cenário externo.

"A resiliência da atividade doméstica e a sustentação do consumo contrastam com o cenário de desaceleração gradual inicialmente previsto pelo Comitê", diz a ata. "Observamos novas surpresas altistas na atividade econômica", complementa.

O documento também ressalta a grande incerteza em relação aos efeitos econômicos das enchentes no Rio Grande do Sul. "Há incertezas sobre a intensidade da queda da atividade e sua recuperação subsequente, bem como sobre a redução do estoque de capital causada pelas enchentes e inundações", afirma.

Cenário Econômico e de Mercado de Trabalho

O Comitê avaliou que as projeções atualizadas da atividade econômica estão mais fortes para o ano. As surpresas recorrentes apontam para um mercado de trabalho dinâmico, corroborando um cenário de mercado de trabalho apertado. O hiato do produto, que estava levemente negativo na última avaliação, está agora em torno da neutralidade.

O Copom também destacou que o cenário prospectivo de inflação se tornou mais desafiador, com o aumento das projeções de inflação de médio prazo, mesmo com uma taxa de juros mais elevada. "Observamos surpresas benignas recentemente, mas também uma elevação nas projeções de prazos mais curtos, envolvendo preços livres. Concluímos unanimemente pela necessidade de uma política monetária mais contracionista e cautelosa, para reforçar a dinâmica desinflacionária", destacou o Comitê.

Política Monetária e Taxa de Juros

O Comitê ressaltou que a política monetária deve permanecer contracionista por tempo suficiente para consolidar não apenas o processo de desinflação, mas também a ancoragem das expectativas em torno das metas. "O Comitê se manterá vigilante e reitera que eventuais ajustes futuros na taxa de juros serão ditados pelo compromisso firme de convergência da inflação à meta", afirmou.

Estimativas sobre a Taxa Neutra de Juros

A ata também abordou as estimativas sobre a taxa neutra de juros utilizada como hipótese para as projeções. A taxa neutra é uma variável não observável e sujeita a grande incerteza. O Comitê enfatizou que a taxa neutra não deve ser atualizada com frequência alta e tampouco ter movimentos abruptos, salvo em casos excepcionais. No contexto atual, a hipótese de taxa de juros real neutra foi elevada marginalmente para 4,75%.

Política Fiscal

O Comitê reforçou a importância de reformas estruturais e disciplina fiscal, ressaltando que o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra, impactando negativamente a política monetária. "Uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros", destacou o Comitê.

O Copom monitora atentamente como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros, reafirmando que políticas monetária e fiscal sincronizadas contribuem para a estabilidade de preços e para suavizar as flutuações econômicas, fomentando o pleno emprego.

A análise completa pode ser conferida na ata da reunião, disponível no site do Banco Central do Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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