Mercado Financeiro

Copom considera progresso inflacionário, mas adverte sobre longo caminho para ancoragem

Última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) destaca avanços na desinflação, mas destaca a necessidade de cautela e moderação no cenário econômico


Publicado em: 06/02/2024 às 11:05hs

Copom considera progresso inflacionário, mas adverte sobre longo caminho para ancoragem

O Comitê de Política Monetária (Copom) analisou os resultados da mais recente reunião realizada nos dias 30 e 31 de janeiro, concluindo que houve um notável progresso no cenário desinflacionário, alinhado às projeções do próprio Comitê. No entanto, enfatizou que ainda persiste um longo caminho para a ancoragem das expectativas inflacionárias e o retorno da inflação à meta estabelecida, demandando serenidade e moderação na condução da política monetária.

O Copom destacou a volatilidade do cenário internacional como um elemento de cautela na condução da política monetária, especialmente diante das incertezas geopolíticas. Ressaltou que a incorporação de variáveis externas, como a dinâmica fiscal e o cenário global, ocorre considerando seus impactos na trajetória prospectiva da inflação, sem uma relação mecânica com a determinação da taxa de juros.

Desafios e Perspectivas Domésticas

No âmbito doméstico, o Copom observou que o cenário segue conforme o esperado, com a continuidade da trajetória desinflacionária nos núcleos e na inflação de serviços. A moderação na atividade econômica, conforme antecipado pelo Comitê, também foi confirmada pelos dados recentes. No entanto, a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos persiste desde a última reunião do Copom, e as projeções para a inflação no horizonte relevante permanecem acima da meta estabelecida.

Após a análise do cenário, todos os membros concordaram que era apropriado reduzir a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, ajustando o grau de aperto monetário prospectivo. As expectativas futuras indicam cortes de 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões, conforme avaliação unânime dos membros do Copom, mantendo a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário.

Cenário Internacional e Considerações Fiscais

O Copom avaliou a conjuntura internacional como volátil, destacando tensões geopolíticas e debates sobre políticas monetárias nas principais economias. Enfatizou a ausência de relação mecânica entre a condução da política monetária norte-americana e a taxa básica de juros doméstica, focando nos mecanismos de transmissão da conjuntura externa sobre a inflação interna.

No contexto global, o Comitê reconheceu melhorias no quadro inflacionário, mas ponderou sobre as fontes, desafios e incertezas para o processo desinflacionário futuro. Incertezas sobre a demanda global, movimentos de preços relativos entre bens e serviços, tensões geopolíticas e a dinâmica do crescimento econômico foram citados como fatores determinantes para a avaliação do Copom.

Quanto ao cenário fiscal doméstico, o Copom reafirmou a importância da execução das metas fiscais para a ancoragem das expectativas de inflação e destacou preocupações relacionadas ao esmorecimento do esforço de reformas estruturais e à disciplina fiscal. A dinâmica do mercado de trabalho e o impacto da taxa de juros neutra na economia também foram considerados na análise do Comitê.

Inflação e Perspectivas Futuras

O Copom avaliou que a dinâmica desinflacionária está em linha com as expectativas, mas destacou alguns aspectos na recente dinâmica da inflação de serviços que requerem maior escrutínio. A redução das expectativas de inflação foi apontada como fator de preocupação, exigindo atuação firme da autoridade monetária.

O Comitê reiterou seu compromisso com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante e afirmou que a extensão do ciclo de ajustes dependerá da evolução da dinâmica inflacionária, do mercado de trabalho e do cenário internacional. O Copom continuará monitorando minuciosamente os dados econômicos globais e os canais de transmissão para a economia doméstica.

As informações são da Agência CMA.

Fonte: Portal do Agronegócio

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