Publicado em: 02/08/2024 às 11:25hs
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou sua preocupação em relação à recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que optou por manter a taxa Selic em 10,5% ao ano. Segundo a CNI, a elevada taxa de juros mantém o Brasil com uma das maiores taxas reais de juros do mundo, o que contribui para o alto custo do crédito e impõe severas restrições à atividade econômica nacional.
Ricardo Alban, presidente da CNI, expressou descontentamento com a medida, destacando a necessidade urgente de uma redução na Selic. “É imperativo que a Selic seja diminuída o quanto antes. A retomada dos cortes é crucial para reduzir o custo financeiro suportado por empresas e consumidores. Sem essa mudança, continuaremos a penalizar a economia brasileira e, principalmente, a população com menos empregos e renda”, enfatiza Alban.
A CNI argumenta que mesmo uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, para 10,25% ao ano, ainda manteria a taxa de juros real – desconsiderando a inflação esperada para os próximos 12 meses – em 6,2% ao ano. Esse valor ainda seria 1,5 ponto percentual acima da taxa de juros real neutra, estimada pelo Banco Central em 4,75% ao ano, e compatível com o atual cenário inflacionário. Apesar de tal redução, o Brasil continuaria a figurar como o terceiro país com as maiores taxas reais de juros do mundo.
Os efeitos desta política monetária restritiva são evidentes no mercado de crédito e na atividade econômica. A alta Selic eleva o custo de captação de recursos pelas instituições financeiras, que, por sua vez, oferecem crédito com spreads elevados. O Brasil possui o terceiro maior spread bancário do mundo, o que encarece ainda mais os empréstimos e financiamentos. A combinação de crédito caro e de baixa oferta resulta em um ambiente adverso tanto para consumidores quanto para empresas, especialmente aquelas que necessitam de financiamento para investir e impulsionar a nova industrialização promovida pela Nova Indústria Brasil (NIB).
No que tange ao crescimento econômico, a política monetária restritiva também gera impactos negativos. As previsões apontam uma desaceleração do PIB: 2,9% em 2023 e uma expectativa de 2,2% para 2024, conforme o Relatório Focus do Banco Central. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que o Brasil crescerá menos que outros países em desenvolvimento, com uma estimativa de 2,1% para 2024, enquanto a média de crescimento para essas economias é de 4,2%.
A CNI também destaca a importância do ajuste fiscal para reduzir a taxa de juros. Embora o novo arcabouço fiscal seja uma medida relevante, ele exige um aumento significativo na arrecadação para garantir o cumprimento das metas fiscais e o controle da dívida pública. Dado o alto nível de carga tributária no Brasil, o ajuste fiscal deve focar na redução das despesas para aliviar o setor produtivo e os consumidores.
A CNI sugere que o Banco Central considere outros fatores além das expectativas de inflação. No cenário doméstico, os núcleos de inflação mostram uma desaceleração, com a média dos cinco núcleos do Banco Central caindo de 4,3% em dezembro de 2023 para 3,4% em junho deste ano. No cenário internacional, as incertezas sobre o afrouxamento da política monetária nas economias centrais diminuíram, com o Federal Reserve dos EUA sinalizando possíveis cortes na taxa de juros e o Banco Central Europeu já realizando uma redução. Isso sugere que o Brasil poderia reduzir a Selic sem riscos significativos para a taxa de câmbio e a inflação doméstica.
A CNI reitera que a atenção a esses elementos é crucial para que o Banco Central possa retomar a necessária trajetória de redução da Selic.
Fonte: Portal do Agronegócio
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