Cesta básica sobe em 17 capitais em junho; alta do feijão pressiona preços dos alimentos no Brasil
Pesquisa mostra avanço do custo da alimentação em grande parte do país, enquanto São Paulo mantém a cesta básica mais cara entre as capitais brasileiras.
Publicado em: 10/07/2026 às 10:30hs
O custo da cesta básica voltou a subir na maior parte do Brasil em junho. Levantamento da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos aponta que 17 capitais brasileiras registraram aumento nos preços, refletindo principalmente a valorização do feijão, além de reajustes no arroz, na carne bovina e no leite integral.
Os dados, divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indicam que a inflação dos alimentos continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras, apesar de algumas capitais apresentarem recuo no custo médio da cesta.
Boa Vista lidera alta da cesta básica em junho
Entre as capitais pesquisadas, Boa Vista registrou o maior aumento mensal, com avanço de 3,28% no custo da cesta básica. Na sequência aparecem:
- Palmas: 3,01%
- Rio Branco: 2,20%
- Porto Alegre: 2,18%
Por outro lado, algumas cidades apresentaram redução nos preços dos alimentos. Os maiores recuos foram observados em:
- João Pessoa: -3,97%
- Recife: -3,62%
- Maceió: -3,61%
Feijão é o principal responsável pela alta dos alimentos
Segundo o levantamento, o feijão registrou aumento de preço em todas as capitais pesquisadas, tornando-se o principal fator de pressão sobre o custo da cesta básica em junho.
De acordo com o Dieese, a valorização do produto está relacionada à redução da área plantada e aos problemas climáticos que afetaram tanto a primeira quanto a segunda safra, reduzindo a oferta no mercado.
Além do feijão, também contribuíram para o aumento da cesta os reajustes registrados nos preços de:
- Arroz agulhinha;
- Carne bovina de primeira;
- Leite integral.
São Paulo mantém a cesta básica mais cara do país
Entre todas as capitais pesquisadas, São Paulo apresentou novamente a cesta básica mais cara do Brasil, com custo médio de R$ 965,47.
Na sequência aparecem:
- Cuiabá: R$ 937,93
- Rio de Janeiro: R$ 920,94
- Florianópolis: R$ 918,42
Já nas capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta possui algumas diferenças, os menores custos médios foram registrados em:
- Aracaju: R$ 630,40
- São Luís: R$ 654,73
- Maceió: R$ 671,41
- Natal: R$ 686,07
Alta da cesta básica acumula avanço em todas as capitais em 2026
No acumulado dos seis primeiros meses do ano, todas as capitais pesquisadas apresentaram aumento no custo da cesta básica.
As variações acumuladas oscilaram entre:
- 4,02%, em São Luís;
- 21,48%, em Fortaleza.
Os números reforçam que a inflação dos alimentos continua sendo um dos principais desafios para o orçamento das famílias brasileiras ao longo de 2026.
Salário mínimo ideal deveria superar R$ 8 mil
Com base no custo da cesta básica mais cara do país, registrada em São Paulo, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para atender às despesas básicas de uma família deveria ser de R$ 8.110,92 em junho.
O valor considera o que determina a Constituição Federal, segundo a qual o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência.
A estimativa corresponde a aproximadamente cinco vezes o salário mínimo vigente, atualmente fixado em R$ 1.621, evidenciando o impacto da alta dos alimentos e do custo de vida sobre o poder de compra da população.
Fonte: Portal do Agronegócio
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