Publicado em: 26/05/2026 às 18:40hs
Os preços do café encerraram a última semana em alta nas principais bolsas internacionais, impulsionados por uma combinação de correção técnica, estoques reduzidos e preocupações com o ritmo da colheita brasileira. O movimento reforça o ambiente de volatilidade que segue predominando no mercado global da commodity.
Na Bolsa de Nova York, referência para o café arábica, os contratos futuros avançaram cerca de 2% ao longo da semana. Já na Bolsa de Londres, que negocia o robusta, os ganhos chegaram a aproximadamente 2,7%.
Segundo análise da StoneX, parte dessa recuperação ocorreu após as fortes perdas registradas na semana anterior, quando os preços em Nova York atingiram os menores patamares em cerca de um ano e meio.
Outro fator importante de sustentação para as cotações foi a redução dos estoques certificados de café, que recuaram de aproximadamente 650 mil para 600 mil sacas.
O volume é considerado historicamente baixo e mantém o mercado atento à disponibilidade imediata do produto, especialmente no segmento de arábica.
Além disso, o atraso da colheita brasileira continua sendo um dos principais pontos de atenção do setor. De acordo com estimativas da StoneX, a colheita nacional alcançou cerca de 14% da área até o momento, abaixo da média histórica de 21% para o período.
Esse ritmo mais lento contribui para manter a oferta mais restrita no curto prazo e reforça a sustentação dos preços internacionais.
O principal destaque da semana foi a divulgação das primeiras estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra global 2026/27 em importantes países produtores.
Entre os números divulgados, o Vietnã deve produzir cerca de 32,5 milhões de sacas, alta de 2,5% em relação à temporada anterior. Já a Colômbia pode alcançar 13,4 milhões de sacas, crescimento estimado em 7%.
Por outro lado, a Indonésia teve sua projeção reduzida para 11,3 milhões de sacas, reflexo dos impactos climáticos causados pelo excesso de chuvas nas regiões produtoras.
No consolidado parcial apresentado até agora pelo USDA, a produção global de café deve crescer 1,7% na comparação anual. O cenário está alinhado às projeções da StoneX, que também apontam recuperação da oferta mundial e estimam um superávit próximo de 10 milhões de sacas na temporada 2026/27.
As atenções do mercado agora se voltam para as futuras estimativas do USDA para o Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, cujos números ainda não foram divulgados oficialmente.
A expectativa em torno da safra brasileira é considerada decisiva para a formação dos preços nas próximas semanas, principalmente diante do atual cenário de estoques globais ainda apertados.
Um dos pontos que mais chamou atenção nas divulgações recentes do USDA foi a perspectiva de redução dos estoques finais globais de café. Mesmo com aumento da produção em diversos países, o levantamento parcial aponta queda de 11% nos estoques finais para a próxima temporada.
Segundo a StoneX, isso reforça a percepção de que a recomposição dos estoques globais ocorrerá de maneira desigual, com o Brasil concentrando parcela maior desses volumes nos próximos anos.
A consultoria destaca que essa concentração pode gerar distorções regionais e períodos pontuais de aperto na oferta, mantendo a volatilidade elevada no mercado internacional.
Outro ponto relevante é que o USDA projeta estoques finais menores em importantes produtores, como Vietnã, Colômbia, Etiópia, Uganda e Índia, sinalizando que a demanda global segue resiliente mesmo diante dos preços elevados observados nos últimos ciclos.
Apesar da expectativa de superávit global e da possibilidade de preços médios inferiores aos registrados no ano passado, o cenário de estoques ainda reduzidos deve continuar oferecendo suporte às cotações do café nos próximos meses, especialmente dependendo do desempenho da safra brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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