Mercado Financeiro

Café Deve Ter Negócios Travados no Brasil com Pressão de NY e Alta do Dólar

Queda na Bolsa de Nova York e valorização do dólar criam cenário de cautela e limitam comercialização no mercado interno


Publicado em: 26/03/2026 às 11:20hs

Café Deve Ter Negócios Travados no Brasil com Pressão de NY e Alta do Dólar

O mercado brasileiro de café deve registrar um ritmo mais lento de negócios nesta quinta-feira (26), diante de um cenário de forças opostas entre os principais indicadores. Enquanto os preços do café recuam na Bolsa de Nova York, o dólar avança frente ao real, o que tende a favorecer as exportações, mas dificulta a formação de preços no mercado interno.

A combinação desses fatores deve manter a comercialização travada ao longo do dia, com produtores e compradores adotando postura cautelosa.

Mercado físico registra baixa liquidez e negócios pontuais

Na quarta-feira (25), o mercado físico de café já apresentou menor movimentação. Segundo a consultoria Safras & Mercado, houve registro de negócios envolvendo diferentes tipos de café, porém com volumes reduzidos e negociações pontuais.

A volatilidade dos preços de referência, especialmente no mercado internacional, tem gerado incertezas, levando tanto vendedores quanto compradores a atuarem com maior cautela.

Preços do café recuam nas principais regiões produtoras

Os preços do café apresentaram queda em importantes praças produtoras de Minas Gerais:

  • Sul de Minas Gerais: café arábica bebida boa (15% de catação) recuou para R$ 2.040,00 a R$ 2.050,00 por saca, ante R$ 2.060,00 a R$ 2.070,00
  • Cerrado Mineiro: arábica bebida dura (15% de catação) caiu para R$ 2.060,00 a R$ 2.070,00, contra R$ 2.080,00 a R$ 2.090,00
  • Zona da Mata de Minas Gerais: arábica tipo 7 (20% de catação) foi negociado entre R$ 1.470,00 e R$ 1.480,00, abaixo dos R$ 1.500,00 a R$ 1.510,00 anteriores

No Espírito Santo, o café conilon apresentou estabilidade:

  • Vitória (ES): tipo 7 entre R$ 1.010,00 e R$ 1.020,00
  • Tipo 7/8 entre R$ 1.000,00 e R$ 1.010,00
Estoques certificados de café seguem em alta

Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da ICE Futures totalizaram 544.659 sacas de 60 quilos em 25 de março de 2026, com aumento de 10.922 sacas em relação ao dia anterior.

O crescimento dos estoques também contribui para pressionar as cotações no mercado internacional.

Bolsa de Nova York registra queda nos contratos

Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do café arábica operam em queda. O contrato com vencimento em maio de 2026 recua 0,23%, sendo cotado a 315,35 centavos de dólar por libra-peso.

No pregão anterior, os papéis com entrega em maio encerraram a 316,10 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 0,55%. Já o contrato julho fechou a 309,70 centavos, com leve recuo de 0,2%.

Dólar em alta favorece exportações brasileiras

O dólar comercial registra valorização de 0,54%, sendo cotado a R$ 5,2477. O avanço da moeda norte-americana frente ao real tende a favorecer as exportações brasileiras de café, aumentando a competitividade do produto no mercado internacional.

O Dollar Index também apresenta alta de 0,30%, aos 99,90 pontos, refletindo a força global da moeda americana.

Cenário externo reforça cautela nos mercados

O ambiente internacional também contribui para a postura defensiva dos agentes. As principais bolsas europeias operam em queda, com recuos em Paris (-0,78%), Frankfurt (-1,49%) e Londres (-1,37%).

Na Ásia, os mercados encerraram o dia em baixa, com destaque para Xangai (-1,09%) e Japão (-0,27%). Em contrapartida, o petróleo registra forte valorização, com o WTI cotado a US$ 94,46 por barril, alta de 4,58%.

Perspectiva é de continuidade da cautela

Diante do cenário de volatilidade nos mercados internacionais, aliado à oscilação cambial, a tendência é de manutenção da cautela nas negociações de café no Brasil no curto prazo.

A definição mais clara de preços deve depender do comportamento da Bolsa de Nova York e do câmbio nos próximos dias, fatores que seguem determinando o ritmo das negociações no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

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