Mercado Financeiro

Bolsas mundiais despencam com crise no Oriente Médio; Ibovespa recua, dólar sobe e petróleo dispara

Escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã amplia aversão ao risco global, pressiona bolsas internacionais, fortalece o dólar e impulsiona ações ligadas ao petróleo na B3


Publicado em: 08/07/2026 às 10:20hs

Bolsas mundiais despencam com crise no Oriente Médio; Ibovespa recua, dólar sobe e petróleo dispara

Os mercados financeiros iniciaram esta quarta-feira sob forte pressão diante da intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã elevou significativamente a aversão ao risco nos mercados internacionais, provocando queda nas principais bolsas globais, valorização do dólar, alta do petróleo e maior cautela entre investidores.

No Brasil, o movimento também afetou os negócios. O Ibovespa abriu em baixa, enquanto o dólar voltou a subir frente ao real. O cenário internacional permanece como o principal fator de influência sobre os ativos financeiros, com investidores acompanhando ainda a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), que poderá trazer novos sinais sobre os rumos da política monetária norte-americana.

Wall Street opera em queda com aumento da aversão ao risco

Os índices futuros das bolsas norte-americanas iniciaram o dia em território negativo, refletindo a preocupação dos investidores com o agravamento das tensões geopolíticas e seus possíveis impactos sobre a economia mundial.

Por volta da abertura dos mercados internacionais, os contratos futuros registravam:

  • Dow Jones: -1,34%
  • S&P 500: -1,06%
  • Nasdaq: -1,55%

O movimento ocorre em meio ao aumento dos preços da energia, à valorização dos ativos considerados mais seguros e à expectativa por novas sinalizações do Federal Reserve sobre juros nos Estados Unidos.

Bolsas europeias acompanham perdas globais

Na Europa, o sentimento também foi predominantemente negativo.

Os principais índices registravam perdas consistentes:

  • Alemanha (DAX): -1,80%
  • França (CAC 40): -1,75%
  • Reino Unido (FTSE 100): -1,17%

O mercado europeu permanece pressionado pelos riscos de interrupções no fornecimento global de petróleo e pelos possíveis impactos inflacionários decorrentes da crise no Oriente Médio.

Ásia fecha sem direção única; tecnologia impulsiona Hong Kong

As bolsas asiáticas encerraram o pregão com desempenho misto.

Enquanto os mercados chineses recuaram para os menores níveis em aproximadamente um mês, Hong Kong registrou forte recuperação impulsionada pelas ações de tecnologia.

O índice Hang Seng avançou 2,99%, registrando sua maior alta diária em três meses. O Hang Seng Tech subiu cerca de 5%, impulsionado principalmente pelas compras de oportunidade em grandes empresas do setor.

Entre os destaques:

  • Alibaba disparou 12,2%, registrando seu maior ganho desde setembro de 2025;
  • Empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores também apresentaram valorização.

Já os mercados chineses continentais encerraram em queda:

  • Xangai (SSEC): -0,49%
  • CSI 300: -0,77%

O movimento foi pressionado principalmente pelos setores de veículos elétricos, terras raras e defesa.

No restante da região, prevaleceu a volatilidade:

  • Japão (Nikkei): -2,11%
  • Coreia do Sul (Kospi): -5,35%
  • Taiwan (Taiex): +0,56%
  • Singapura (Straits Times): +0,51%
  • Austrália (S&P/ASX 200): -0,21%
Ibovespa acompanha cenário externo e petróleo favorece ações da Petrobras

Na abertura dos negócios desta quarta-feira, o Ibovespa operava próximo dos 172 mil pontos, refletindo o aumento da cautela dos investidores diante do ambiente internacional.

Ao mesmo tempo, o dólar iniciou o pregão em alta, negociado ao redor de R$ 5,18, enquanto os contratos de juros futuros (DIs) também apresentavam elevação.

Apesar do movimento negativo do índice, empresas ligadas ao setor de petróleo figuraram entre os destaques positivos.

O avanço das cotações internacionais do petróleo Brent, negociado próximo de US$ 78 por barril, impulsionou as ações da Petrobras, favorecidas pela expectativa de maior geração de caixa diante da valorização da commodity.

Destaques corporativos da B3

Além do cenário internacional, investidores acompanham notícias corporativas relevantes.

Entre os principais destaques estão:

  • Petrobras registrando valorização acompanhando a alta do petróleo;
  • Brava Energia permanece no radar após desdobramentos envolvendo recurso da CVM sobre a Oferta Pública de Aquisição (OPA);
  • Cury divulgou Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2,25 bilhões no segundo trimestre;
  • Tenda apresentou crescimento de 54,4% nos lançamentos em relação ao mesmo período do ano anterior;
  • Natura informou expectativa de retração de até 10% na receita líquida do segundo trimestre;
  • Mitre e Banco Pine aprovaram distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas.
Petróleo continua sendo principal fator de influência

O petróleo permanece como um dos principais termômetros dos mercados globais.

As recentes medidas envolvendo restrições à comercialização de petróleo iraniano e novos episódios militares no Oriente Médio elevaram os preços internacionais da commodity, aumentando as preocupações com inflação global e custos energéticos.

Esse movimento beneficia empresas produtoras de petróleo, mas amplia a pressão sobre diversos setores consumidores de energia e sobre bancos centrais, que passam a monitorar potenciais impactos inflacionários.

Mercado segue atento aos próximos acontecimentos

Os investidores continuam monitorando três fatores centrais que devem direcionar os mercados ao longo dos próximos dias:

  • evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã;
  • divulgação da ata do Federal Reserve e possíveis indicações sobre os juros americanos;
  • comportamento do petróleo, do dólar e das bolsas internacionais.

Enquanto o ambiente geopolítico permanecer incerto, a tendência é de manutenção da volatilidade nos mercados globais, com reflexos diretos sobre a B3, o câmbio, os juros e os ativos ligados ao setor de commodities.

Fonte: Portal do Agronegócio

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