Mercado Financeiro

Bolsas globais operam sob pressão com inflação nos EUA, tensão no Oriente Médio e queda do Ibovespa

Investidores acompanham avanço da inflação americana, conflito entre EUA e Irã e oscilações de Petrobras e Vale, enquanto mercados internacionais registram volatilidade nesta quinta-feira


Publicado em: 28/05/2026 às 10:57hs

Bolsas globais operam sob pressão com inflação nos EUA, tensão no Oriente Médio e queda do Ibovespa

Os mercados financeiros globais operam em clima de cautela nesta quinta-feira (28), diante da combinação entre inflação persistente nos Estados Unidos, tensões geopolíticas no Oriente Médio e pressão sobre commodities. O movimento afeta diretamente as bolsas internacionais e mantém o Ibovespa em trajetória negativa ao longo do pregão.

Em Nova York, os principais índices abriram próximos da estabilidade após novos dados mostrarem aceleração da inflação americana em abril. O índice PCE, indicador preferido do Federal Reserve para monitorar a inflação, registrou o maior avanço em três anos, reforçando a percepção de que os juros nos EUA devem permanecer elevados por mais tempo.

Na abertura do mercado norte-americano, o Dow Jones avançava 0,03%, aos 50.660 pontos, enquanto o S&P 500 recuava 0,01%. Já o Nasdaq apresentava leve alta de 0,04%, sustentado parcialmente pelo setor de tecnologia.

Apesar da cautela atual, Wall Street ainda vem de uma sequência histórica de recordes. Na sessão anterior, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq encerraram em máximas históricas simultaneamente pela primeira vez em 2026, impulsionados pela expectativa de avanços diplomáticos envolvendo EUA e Irã.

Ásia fecha em queda após novos ataques no Oriente Médio

Os mercados asiáticos encerraram o dia em baixa, refletindo a deterioração do cenário geopolítico após novos ataques envolvendo forças americanas e o Irã. O aumento da aversão ao risco reduziu o apetite por ativos ligados à tecnologia e inteligência artificial.

O índice Hang Seng, de Hong Kong, liderou as perdas e caiu quase 2%, pressionado principalmente pelas gigantes de tecnologia. Na China continental, o índice de Xangai recuou 0,4%, enquanto o CSI 300 perdeu 1,1%.

No Japão, o Nikkei fechou em queda de 0,1%, após renovar máximas históricas na sessão anterior. Já o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 1,1%, com investidores realizando lucros em ações do setor de semicondutores e inteligência artificial.

Na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu 1,1%, enquanto os futuros do Nifty 50, da Índia, operavam em baixa de 0,3%.

Petróleo, juros e inflação ampliam volatilidade global

O mercado também acompanha a forte influência do petróleo sobre os indicadores econômicos globais. A escalada do conflito no Oriente Médio voltou a elevar as preocupações com oferta de energia e inflação mundial.

Analistas observam que os preços da energia seguem sendo um dos principais vetores de pressão inflacionária nos Estados Unidos, dificultando um eventual ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve ainda em 2026.

O cenário externo ainda repercute diretamente nas commodities e nos mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Ibovespa cai pressionado por Petrobras e cenário externo

No Brasil, o Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira, refletindo o movimento global de cautela e a volatilidade das commodities. O mercado brasileiro também monitora indicadores econômicos internos, além da expectativa em torno da política monetária americana.

As ações da Petrobras recuam acompanhando a oscilação internacional do petróleo e ruídos políticos envolvendo a estatal. Já os papéis da Vale operam em alta moderada e ajudam a limitar perdas mais intensas no principal índice da bolsa brasileira.

O dólar também mantém trajetória de valorização frente ao real, refletindo o aumento da busca global por ativos considerados mais seguros. Na véspera, a moeda americana fechou cotada acima de R$ 5,05.

Além do cenário externo, investidores acompanham no Brasil a divulgação de indicadores como desemprego, resultado fiscal e dados ligados à inflação, fatores que podem influenciar os próximos passos da política monetária nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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