Bolsas globais operam sem direção única e Ibovespa recua pressionado por commodities, dólar e cautela com juros
Dados positivos da indústria chinesa impulsionam ações de tecnologia em Xangai, mas investidores seguem cautelosos com o crescimento global; no Brasil, Bolsa abre em queda, dólar avança e mercado monitora agenda econômica dos Estados Unidos e da Europa
Publicado em: 01/07/2026 às 10:56hs
Os mercados financeiros iniciaram esta quarta-feira (1º) em clima de cautela. Enquanto as bolsas asiáticas encerraram o pregão sem direção definida, refletindo o contraste entre indicadores econômicos positivos da China e as preocupações com o ritmo de crescimento da segunda maior economia do mundo, o mercado brasileiro abriu em baixa, pressionado pela queda das commodities, valorização do dólar e aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais.
Na abertura dos negócios na B3, o Ibovespa recuava cerca de 0,75%, negociado próximo dos 170,7 mil pontos, acompanhando o desempenho negativo dos futuros das bolsas norte-americanas e o movimento de realização em ações ligadas às commodities. Petrobras (PETR3 e PETR4), Vale (VALE3) e Itaú Unibanco (ITUB4) concentravam os maiores volumes financeiros da sessão.
O dólar comercial operava em alta, ao redor de R$ 5,18, enquanto investidores ajustavam suas expectativas para a trajetória da taxa Selic e aguardavam novos indicadores de emprego nos Estados Unidos, além de discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE), fatores considerados decisivos para os próximos movimentos dos mercados globais.
China apresenta indústria forte, mas mercado mantém cautela
Na Ásia, o destaque ficou para a divulgação do índice de atividade industrial da China. O setor manufatureiro registrou expansão pelo sétimo mês consecutivo em junho, encerrando o melhor trimestre desde o fim de 2020, sustentado pelo crescimento da produção e dos novos pedidos.
O desempenho positivo reforçou o otimismo em torno dos setores ligados à inovação, especialmente fabricantes de semicondutores, empresas de software e biotecnologia, que lideraram os ganhos na Bolsa de Xangai.
O presidente chinês Xi Jinping voltou a defender a estratégia de "desenvolvimento de alta qualidade", reafirmando o compromisso do governo com uma economia baseada em inovação, tecnologia e crescimento sustentável.
Apesar dos indicadores positivos, investidores continuam demonstrando preocupação com a recuperação desigual da economia chinesa. Relatório do Goldman Sachs destacou que gestores locais permanecem cautelosos quanto ao ritmo de crescimento no curto prazo, diante de um cenário considerado "bifurcado", no qual setores tecnológicos avançam enquanto atividades tradicionais seguem enfrentando dificuldades.
Bolsas asiáticas fecham em direções opostas
O desempenho dos principais mercados asiáticos refletiu esse cenário misto.
O índice SSEC, de Xangai, avançou 0,44%, aos 4.112 pontos, impulsionado principalmente pelas empresas de tecnologia.
Já o CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,41%.
No Japão, o Nikkei encerrou em alta de 0,59%, enquanto a Bolsa da Coreia do Sul registrou forte queda de 2,04%.
Em Taiwan, o Taiex subiu 1,94%, ao passo que o Straits Times, de Cingapura, recuou 0,11%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu 0,64%.
O mercado de Hong Kong permaneceu fechado devido a um feriado local.
Ibovespa acompanha cenário externo e commodities
No Brasil, o sentimento negativo foi reforçado pela queda dos preços internacionais do petróleo e do minério de ferro, que pressionaram ações de grande peso no índice, especialmente Petrobras e Vale.
Além do cenário externo, investidores também repercutem o fim da subvenção ao diesel, medida que afeta diretamente o setor de combustíveis. Ainda assim, a Petrobras recebeu cerca de R$ 1,1 bilhão referente a repasses atrasados do programa, fator que amenizou parte das perdas do papel.
Entre os destaques corporativos do dia, a Suzano anunciou a conclusão da aquisição de 51% da FamPro Tissue Holdings, anteriormente controlada pela Kimberly-Clark, fortalecendo sua presença internacional no segmento de papéis tissue.
Já o Fleury teve seu rating corporativo "AAA.br" reafirmado pela Moody's Local BR, mantendo perspectiva estável.
Na ponta positiva da Bolsa, empresas ligadas ao consumo e varejo figuravam entre as maiores altas da sessão, com destaque para Natura e Qualicorp, refletindo um movimento pontual de busca por ativos considerados menos expostos às oscilações das commodities.
Investidores acompanham agenda internacional
O foco dos mercados agora se concentra na agenda econômica dos Estados Unidos, especialmente nos indicadores de emprego que serão divulgados ao longo da semana. Os dados poderão alterar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve e influenciar o fluxo global de investimentos.
Na Europa, declarações de dirigentes do Banco Central Europeu também permanecem no radar, enquanto investidores avaliam os próximos passos da política monetária em meio ao cenário de inflação ainda elevada.
Combinados, esses fatores devem continuar determinando o comportamento das bolsas internacionais, das commodities, do câmbio e dos ativos brasileiros nas próximas sessões, mantendo o ambiente de elevada volatilidade para os mercados financeiros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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