Bolsa e real devem subir após liderança de Flávio Bolsonaro, dizem analistas
Avaliações reunidas pela Reuters apontam expectativa de valorização dos ativos brasileiros; investidores acompanham propostas fiscais e cenário para o segundo turno contra Lula
Publicado em: 05/10/2026 às 11:25hs
A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial ampliou a expectativa de valorização da bolsa brasileira e do real nesta segunda-feira (5), segundo analistas ouvidos pela Reuters. O desempenho do senador, acima do previsto pelas pesquisas, levou investidores a reavaliar as possibilidades de mudança na condução da política econômica.
Com aproximadamente 47% dos votos válidos, Flávio avançou ao segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu cerca de 45%. A votação decisiva está marcada para 25 de outubro.
As pesquisas anteriores ao pleito indicavam liderança de Lula. Para os profissionais consultados, a inversão desse cenário tende a favorecer, inicialmente, os ativos brasileiros, diante da expectativa de uma agenda de contenção de gastos, reformas e privatizações.
Ativos brasileiros no exterior sinalizam reação positiva
Antes da abertura do mercado doméstico, os negócios no exterior já indicavam maior procura por investimentos ligados ao Brasil. Conforme o relato da Reuters, um ETF MSCI Brasil negociado em Frankfurt avançava mais de 14%, enquanto ações de empresas brasileiras, incluindo Itaú Unibanco e Petrobras, também se valorizavam fora do país.
Thierry Larose, gestor de carteiras da Vontobel, afirmou esperar uma forte alta dos ativos brasileiros. Na avaliação dele, os investidores tendem a dar um voto inicial de confiança a Flávio Bolsonaro, embora ainda seja necessário avaliar como suas propostas fiscais seriam executadas.
O senador tem apresentado aos investidores uma agenda que inclui redução de impostos, privatizações e maior controle das despesas públicas, buscando se posicionar como uma alternativa mais moderada em relação ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Expectativa fiscal favorece projeções para bolsa e câmbio
O rumo das contas públicas aparece entre os principais fatores por trás da reação esperada. Pedro Galdi, analista de investimentos da AGF Investments, disse à Reuters que a demanda por mudanças e reformas deve estimular a valorização das ações e do real.
“O mercado quer mudança, quer reformas, não quer um déficit público elevado”, afirmou.
Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, também projetou uma reação expressiva. Em sua avaliação anterior à abertura, o dólar poderia cair entre 2% e 4%, enquanto as ações poderiam avançar de 4% a 6%.
O economista acrescentou que o movimento poderia incluir recuo nas taxas de juros nominais e reais negociadas no mercado. As estimativas representam expectativas dos analistas, e não resultados consolidados da sessão.
Société Générale projeta dólar a R$ 5,10 no fim de 2026
O Société Générale prevê valorização do real, com o dólar chegando a R$ 5,10 até o encerramento de 2026. A instituição também aponta possibilidade de a cotação ficar abaixo de R$ 5,00 no primeiro semestre de 2027.
No cenário mencionado pela Reuters, a moeda norte-americana era negociada em torno de R$ 5,22. A perspectiva de queda está associada à leitura dos investidores sobre as chances de mudança na política econômica e sobre a trajetória fiscal.
Como referência histórica, os analistas citaram a reação ao primeiro turno de 2022. Na ocasião, após Jair Bolsonaro apresentar desempenho superior ao esperado contra Lula, o real se valorizou mais de 4% e o Ibovespa subiu 5,5% no pregão seguinte.
Investidores aguardam sinais sobre propostas econômicas
Apesar do otimismo inicial, a sustentação da confiança dependerá de indicações mais claras sobre a agenda do candidato, segundo Bryan Harris, sócio-gerente da Sabio, empresa de inteligência política e corporativa.
Para Harris, o resultado pode renovar o interesse pelos ativos brasileiros no curto prazo. Ele ponderou, porém, que o mercado aguardará demonstrações de compromisso com a solução dos problemas do país e avaliou que o senador ainda mostrou pouca aptidão para formular políticas econômicas.
A campanha presidencial, disputada inicialmente por 12 candidatos, teve entre seus temas centrais o custo de vida, a corrupção, a criminalidade e a insegurança.
Alegações de interferência externa integram cenário eleitoral
Na véspera da votação, aliados de Lula levantaram a possibilidade de o governo dos Estados Unidos não reconhecer uma eventual vitória do presidente brasileiro. O alerta mencionou uma tentativa frustrada de envio de observadores eleitorais norte-americanos ao país.
Donald Trump não havia declarado apoio formal a um candidato antes do primeiro turno, embora tenha recebido Flávio Bolsonaro na Casa Branca e feito elogios públicos ao senador.
A Reuters também informou que a inteligência brasileira comunicou autoridades francesas e alemãs sobre suspeitas de interferência dos Estados Unidos e da Rússia no processo eleitoral. As alegações foram rejeitadas pelos norte-americanos.
Essas questões compõem o ambiente político acompanhado pelos investidores até o segundo turno, junto às propostas econômicas e às perspectivas para as contas públicas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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