Mercado Financeiro

Banco Central reduz Selic para 10,50% com divergência entre diretores

Corte de 0,25 ponto percentual sugere cautela em cenário de incertezas globais e domésticas


Publicado em: 09/05/2024 às 10:20hs

Banco Central reduz Selic para 10,50% com divergência entre diretores

O Banco Central do Brasil decidiu nesta quarta-feira (8) reduzir o ritmo de corte da taxa Selic para 10,50% ao ano, com uma redução de 0,25 ponto percentual. A decisão gerou divergências entre diretores do BC, especialmente entre os indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que queriam uma redução maior, e aqueles nomeados durante a gestão de Jair Bolsonaro.

A redução de 0,25 ponto percentual foi apoiada pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e pelos diretores Carolina Barros, Diogo Guillen, Otávio Damaso e Renato Gomes. Já os diretores indicados por Lula – Ailton de Aquino, Gabriel Galípolo, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira – votaram por uma redução de 0,50 ponto percentual.

Apesar das divergências internas, o Comitê de Política Monetária (Copom) comunicou que a decisão foi unânime e justificou a escolha mais cautelosa pela incerteza global e pela resiliência da economia brasileira, bem como por expectativas desancoradas sobre a inflação.

A separação entre os diretores indicados por Lula e aqueles que foram nomeados por Bolsonaro reflete um possível embate entre visões mais flexíveis e mais rígidas dentro do Banco Central. Isso pode impactar os rumos da política monetária, especialmente à medida que o governo Lula passa a ter maioria entre os diretores. Atualmente, o comitê é composto por quatro diretores indicados por Lula e cinco por Bolsonaro.

O mandato de Campos Neto, Carolina Barros e Otávio Damaso termina em dezembro deste ano, o que significa que as próximas indicações podem alterar significativamente o equilíbrio dentro do BC.

O comunicado do Banco Central aponta que a redução da Selic está alinhada com a estratégia de convergência da inflação para a meta de 3% ao longo do horizonte relevante. Apesar dos últimos dados de inflação serem ligeiramente mais baixos do que o esperado, o BC revisou para cima suas projeções de inflação para 2024 e 2025, de 3,5% para 3,8% e de 3,2% para 3,3%, respectivamente.

O Banco Central também afirmou que está acompanhando de perto a política fiscal do governo e seu impacto na política monetária, especialmente após a recente flexibilização das metas para as contas públicas. O Copom destacou que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida é fundamental para ancorar expectativas de inflação e para reduzir os prêmios de risco dos ativos financeiros, aspectos que afetam diretamente a condução da política monetária.

Fonte: Portal do Agronegócio

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