Banco Central projeta PIB 2,1% para 2025, mas segue prevendo freio na atividade econômica
Apesar da projeção positiva para o próximo ano, autoridade monetária sinaliza que ritmo da atividade econômica deve continuar lento, refletindo desafios internos e externos
Publicado em: 26/06/2025 às 10:42hs
Revisão da projeção de crescimento
O Banco Central (BC) elevou sua estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 para 2,1%, ante os 1,9% calculados em março. O ajuste reflete resultados melhores que o esperado no primeiro trimestre, contrariando o esforço da autoridade monetária de esfriar o ritmo da atividade para conter a inflação.
Por que o BC continua vendo desaceleração
Apesar da revisão, o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira mantém o diagnóstico de perda de fôlego ao longo do ano. Contribuem para essa leitura:
- Política monetária ainda restritiva;
- Baixa ociosidade nos fatores de produção;
- Arrefecimento do crescimento global;
- Menor impulso do agronegócio após o forte início de 2025.
Diferença em relação a outras projeções
A nova estimativa do BC é menos otimista que a do Ministério da Fazenda, que espera alta de 2,4%, e um pouco abaixo da mediana do mercado, de 2,21%, segundo o boletim Focus.
Fatores que sustentaram a revisão
- Surpresas positivas na atividade do primeiro trimestre;
- Perspectiva melhor para a safra agrícola;
- Mercado de trabalho mais aquecido que o previsto, o que reforça a resiliência do consumo das famílias;
- Possível efeito das novas regras do crédito consignado para trabalhadores do setor privado sobre consumo e PIB — ainda cercado de incertezas;
- Crescimento global mais fraco, que deverá limitar avanço maior da economia doméstica.
Inflação: leve alívio, mas expectativa desancorada
As projeções de inflação para 2025 e 2026 caíram marginalmente, porém as expectativas de longo prazo seguem fora da meta.
- Pressões altistas vieram da atividade mais forte;
- Fatores de alívio: valorização do real e queda do petróleo.
O BC estima 68% de chance de a inflação ultrapassar o teto da meta em 2025 (ante 70% em março) e 26% em 2026 (antes 28%). A meta contínua é de 3%, com tolerância de ±1,5 ponto.
Política monetária: pausa à vista
Repetindo o tom da ata do Copom, o BC sinaliza que pode interromper o ciclo de alta da taxa básica para avaliar o efeito dos ajustes já implementados. A autoridade indica que manter o juro em 15% ao ano por período prolongado deve ser suficiente para conduzir a inflação de volta ao centro da meta.
Fonte: Portal do Agronegócio
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