Mercado Financeiro

Banco Central mantém Selic em 15% e adota tom mais cauteloso sobre cortes de juros

Comitê reforça necessidade de juros altos por período prolongado e mantém postura vigilante diante de incertezas fiscais e externas


Publicado em: 12/12/2025 às 10:30hs

Banco Central mantém Selic em 15% e adota tom mais cauteloso sobre cortes de juros
Foto: Gabriel Pinheiro
Copom mantém Selic e adota tom mais duro em comunicado

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por unanimidade manter a taxa Selic em 15% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. Segundo o relatório “Sutilmente hawkish”, elaborado pelo RaboResearch (Rabobank), o tom da comunicação do Banco Central foi mais cauteloso e inclinado à manutenção de juros altos por mais tempo.

O Copom afirmou que manter a taxa em nível restritivo por um período prolongado é essencial para assegurar a convergência da inflação à meta, mesmo diante da recente desaceleração da atividade econômica e da moderação nas expectativas inflacionárias.

Além disso, o Comitê reforçou que não hesitará em elevar novamente os juros, caso as condições exijam, e que segue vigilante diante de riscos tanto internos quanto externos.

Inflação projetada recua, mas segue acima da meta

De acordo com o Rabobank, a projeção de inflação no horizonte relevante da política monetária (2º trimestre de 2027) caiu de 3,3% para 3,2%, ainda 0,2 ponto percentual acima da meta de 3%.

O recuo foi influenciado pela apreciação de 1% do real frente ao dólar nas últimas semanas e pela queda no preço das commodities. As projeções para os anos de 2025 e 2026 também apresentaram redução, passando para 4,4% e 3,5%, respectivamente.

Apesar da melhora, o Banco Central considerou prematuro iniciar um ciclo de cortes. O Rabobank projeta que o primeiro movimento de redução dos juros deve ocorrer apenas no segundo trimestre de 2026, possivelmente com um corte inicial de 1 ponto percentual em abril.

Riscos externos e incerteza fiscal mantêm postura conservadora

O Copom manteve o balanço de riscos simétrico, apontando fatores de alta e de baixa para a inflação. Entre os riscos altistas, estão:

  • a desancoragem das expectativas inflacionárias;
  • a resiliência dos preços de serviços, impulsionada por um mercado de trabalho aquecido;
  • e políticas internas que possam gerar depreciação cambial.

Do lado baixista, o Comitê destacou:

  • a possível desaceleração global, agravada pelas tensões comerciais e geopolíticas;
  • e a queda nos preços internacionais das commodities.

No cenário internacional, o Banco Central segue acompanhando os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e os impactos da política econômica americana sobre os fluxos financeiros globais.

Atividade econômica mostra desaceleração, mas emprego resiste

Os dados recentes indicam que a atividade econômica brasileira segue em ritmo de desaceleração, com o PIB do 3º trimestre confirmando a perda de fôlego no crescimento.

Mesmo assim, o mercado de trabalho mantém sinais de resiliência, com níveis de emprego estáveis e setor de serviços ainda aquecido, conforme dados do Caged e da PNAD.

O Rabobank observa que o cenário atual deve contribuir para reduzir gradualmente as expectativas inflacionárias, mas reforça que o Banco Central manterá juros elevados até observar uma convergência mais consistente à meta de 3%.

Expectativas e próximos passos

Segundo o Rabobank, a decisão de manter a Selic indica que o Banco Central prioriza a credibilidade do regime de metas, diante das incertezas fiscais e externas.

O Copom publicará na terça-feira (16) a ata da reunião, que deve detalhar sua análise sobre inflação, atividade e política fiscal. Já o Relatório de Política Monetária do 4º trimestre será divulgado na quinta-feira (18), seguido de uma coletiva de imprensa.

A leitura do Rabobank é que o tom da comunicação reforça uma estratégia de paciência e prudência, com cortes de juros apenas a partir do segundo trimestre de 2026, caso a inflação continue desacelerando e o cenário fiscal não se deteriore.

Fonte: Portal do Agronegócio

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