Publicado em: 04/03/2026 às 17:30hs
A escalada do conflito no Oriente Médio e a decisão de fechar o Estreito de Ormuz, em 28 de fevereiro, aumentaram a preocupação de exportadores brasileiros. A medida compromete o tráfego marítimo em uma das principais rotas de exportação para os países árabes, impactando diretamente o escoamento de carne halal — produzida segundo os princípios islâmicos —, além de soja e açúcar.
O Brasil, maior exportador global de carne halal, envia mensalmente mais de 28 mil toneladas do produto por essa rota estratégica. A interrupção do fluxo preocupa o setor agroexportador, que teme impactos econômicos e logísticos caso o bloqueio se prolongue.
De acordo com Frederico Favacho, sócio do Santos Neto Advogados e especialista em contratos internacionais do agronegócio, o momento requer cautela e planejamento.
“Os contratos não são automaticamente suspensos por causa de força maior, já que os exportadores podem buscar outras rotas, como o Mediterrâneo. No entanto, são alternativas mais caras e operacionalmente complexas”, explicou.
Favacho acrescenta que os portos da região permanecem em estado de alerta, com reflexos não apenas na carne, mas também nas exportações de soja e açúcar.
“Precisaremos acompanhar a evolução dos fatos nos próximos dias para traçar estratégias seguras para o comércio exterior”, avaliou.
Os números reforçam a relevância do mercado árabe para o agronegócio brasileiro. Segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as exportações de carne bovina para os países da Liga dos Estados Árabes — que reúne 22 nações do Norte da África e Oriente Médio — fecharam 2025 com alta de 1,91% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 1,79 bilhão. O desempenho marcou o segundo recorde consecutivo de receitas do Brasil com o bloco.
“O Irã é um parceiro estratégico para o agro brasileiro, especialmente nas exportações de milho, soja e açúcar”, afirmou Favacho. “Só em 2025, as vendas para o país somaram quase US$ 3 bilhões, enquanto as exportações para o conjunto de países do Golfo Pérsico e Norte da África atingiram cerca de US$ 21 bilhões.”
Entre os principais destinos das commodities brasileiras estão os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Egito, abastecidos principalmente com carne, soja, milho e açúcar — produtos que agora enfrentam risco logístico diante do bloqueio no Golfo.
Apesar das tensões geopolíticas, o especialista lembra que o Brasil historicamente manteve boas relações comerciais com o Irã, mesmo durante períodos de embargo.
“Como exportamos alimentos, o Brasil permaneceu fora das sanções, o que garantiu vantagem competitiva no mercado internacional”, observou Favacho.
Ainda assim, ele alerta que o conflito pode afetar contratos e margens de lucro das exportações brasileiras.
“Podemos enfrentar algum impacto nas negociações, mas é importante lembrar que o nosso principal mercado continua sendo a China, seguida pela União Europeia”, concluiu.
Fonte: Portal do Agronegócio
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