Publicado em: 03/02/2026 às 09:30hs
A dinâmica recente dos mercados globais tem chamado atenção de investidores e especialistas diante de mudanças estruturais na economia dos Estados Unidos, cuja repercussão vai além de decisões econômicas convencionais. Uma análise do Rabobank sugere que essas transformações refletem uma condução estratégica de Estado, mais próxima de uma reforma sistêmica do que de políticas econômicas tradicionais.
O estudo destaca que analogias históricas são úteis para interpretar o cenário contemporâneo. A análise traça um paralelo entre as medidas econômicas lideradas pelo ex-presidente Donald Trump e as reformas promovidas por Mikhail Gorbachev no fim da União Soviética.
Na época soviética, o objetivo era redirecionar a economia de investimentos em capital e produção militar para o consumo, estratégia que acabou falhando e acelerou o colapso do sistema. Hoje, segundo o Rabobank, os Estados Unidos seguem o caminho inverso, buscando deslocar o eixo econômico do consumo e da financeirização para investimento em capital produtivo e indústria militar.
Durante o segundo mandato de Trump, a estratégia passou a incorporar mudanças mais radicais, aumentando os riscos de fracasso. O relatório do Rabobank identifica sinais de desgaste da ordem liberal internacional, que ampliam a incerteza nos mercados globais e no ambiente geopolítico.
Os analistas definem o processo como uma espécie de “perestroika reversa”, em que a intenção é reestruturar a economia nacional de maneira mais profunda, porém com desafios significativos.
Apesar dos riscos, o Rabobank aponta que a estratégia pode gerar resultados positivos, desde que haja ajustes profundos nas estruturas político-econômicas e geopolíticas que sustentam o modelo atual. O relatório mapeia mudanças essenciais para viabilizar esse cenário, mas alerta que o desfecho permanece incerto, dependendo da capacidade de execução e adaptação das instituições envolvidas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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