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INTERNACIONAL: Ata do Fed destaca riscos de uma guerra comercial

As autoridades do Federal Reserve ignoraram as leituras de crescimento do primeiro trimestre e demonstraram, em sua última reunião, uma confiança maior na recuperação dos Estados Unidos


Publicado em: 13/04/2018 às 11:00hs

INTERNACIONAL: Ata do Fed destaca riscos de uma guerra comercial

As autoridades do Federal Reserve (Fed, o BC americano) ignoraram as leituras de crescimento do primeiro trimestre e demonstraram, em sua última reunião, uma confiança maior na recuperação dos Estados Unidos, com várias delas prevendo que o caminho de alta das taxas dos juros poderá ter de ser mais íngreme do que o anteriormente esperado.

Discussão aprofundada - A ata da reunião de março do Fed, divulgada nesta quarta-feira (11/04), revela uma discussão aprofundada da recente intensificação das tensões comerciais entre os EUA e seus aliados, e os planejadores econômicos alertam que um conflito nessa seara representa um "risco negativo" ao cenário.

Juros - Mesmo assim, os temores de uma guerra comercial ainda não abalaram as perspectivas otimistas do Fed, nem dissuadiram o banco central dos planos de apertar gradualmente sua política monetária. Todos os participantes da reunião de março disseram que "alguma solidificação maior" dos juros será necessária na medida em que eles ficarem mais tranquilos de que a inflação caminha para alcançar a meta do Fed.

Íngreme - "Alguns participantes indicaram que as perspectivas mais sólidas para a atividade econômica, juntamente com sua maior confiança de que a inflação retornará aos 2% no médio prazo, implicam que o caminho apropriado para os juros nos próximos anos provavelmente será um pouco mais íngreme do que o esperado anteriormente por eles", afirma a ata.

Aumentos - Jerome Powell, presidente do Fed, e seus colegas aumentaram as taxas de juros em 0,25 ponto porcentual na reunião de 20 e 21 de março, prevendo ainda um total de três aumentos para 2018. Muitos analistas apostam que o Fed acabará promovendo quatro aumentos no ano, com o banco central devendo agir na reunião de 12 e 13 de junho.

Abordagem “paciente” - Powell apoiou uma abordagem "paciente" para a alta dos juros neste ano, alegando que o fraco aumento dos salários indica que o mercado de trabalho não está excessivamente apertado. Mas os planejadores do banco central estão observando de perto os dados da inflação em busca de sinais de uma aceleração. A última leitura do índice de preços ao consumidor (IPC), divulgada após a reunião do Fed, mostrou que o núcleo da inflação teve em março a maior alta em um ano, avançando 2,1% sobre o mesmo período do ano passado.

Fatores - Entre os fatores que estão estimulando o crescimento e a inflação está o enorme estímulo fiscal liderado pelos republicanos, que em dezembro cortaram os impostos em US$ 1,5 trilhão em dez anos, antes de aceitarem um acordo para o orçamento que no mês passado elevou o teto dos gastos. As medidas deverão dar um "empurrão significativo" no PIB nos próximos anos, embora seja difícil medir os efeitos em detalhes, uma vez que há poucos precedentes para tamanho estímulo quando a economia já está avançada numa recuperação.

Dados indicativos - Na reunião, as autoridades do Fed disseram que os dados indicativos dos primeiros três meses do ano provavelmente se mostrarão "transitórios", em parte por causa das flutuações sazonais. No geral, as notícias são consistentes com o crescimento superior, segundo afirma o banco central americano, com as empresas demonstrando um otimismo considerável em relação às perspectivas para o país.

Perspectivas positivas - Diante das perspectivas positivas, vários participantes da reunião acharam que o Fed poderá acabar tendo de estabelecer os juros acima do valor normal de longo prazo, admitindo que o banco central poderá mudar de uma posição acomodatícias para uma de política monetária neutra ou "restritiva".

Ameaça - A grande ameaça no horizonte é uma escalada das tensões comerciais entre o presidente Donald Trump e os principais parceiros comerciais dos EUA.

Riscos - Uma maioria representativa das autoridades do Fed disse que as medidas comerciais retaliatórias por parte de outros países e a incerteza geral com o comércio representam riscos de queda para a economia. Vários planejadores destacaram a preocupação das empresas com as ramificações das tarifas impostas sobre as importações de aço e alumínio. Contatos do Fed no setor agrícola estão se sentindo "especialmente vulneráveis", segundo aponta o documento.

Fonte: Portal Paraná Cooperativo

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