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EUA: Yellen tira do jogo alta de juros pelo Fed em junho

A presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, afirmou nesta segunda-feira (06/06) que o banco central dos Estados Unidos não elevará os juros de curto prazo até que novas incertezas sobre o cenário econômico sejam resolvidas


Publicado em: 08/06/2016 às 11:30hs

EUA: Yellen tira do jogo alta de juros pelo Fed em junho

A presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, afirmou nesta segunda-feira (06/06) que o banco central dos Estados Unidos não elevará os juros de curto prazo até que novas incertezas sobre o cenário econômico sejam resolvidas. Os comentários feitos durante o Conselho de Assuntos Mundiais da Filadélfia refletiram as conclusões que os investidores chegaram na sexta-­feira (03/06) depois da divulgação de dados decepcionantes do mercado de trabalho.

Melhora na economia - Yellen e outras autoridades ainda acreditam que poderão elevar os juros gradualmente porque estimam que a economia vá melhorar. Entretanto, um aumento nos juros na reunião de política monetária do Fed na próxima semana está agora fora de cogitação. Um ajuste em julho é possível, mas tornou­se menos provável, e uma alteração em setembro é possível se os dados econômicos mostrarem que a economia está se recuperando.

Mudança de ideia - Os comentários de Yellen indicam que ela mudou de ideia em menos de duas semanas, quando confidencialmente disse que um fortalecimento significava que o Fed provavelmente elevaria os juros novamente nos "próximos meses". Ela retirou essa referência de tempo nesta segunda-feira (06/06).

Relatório - Os planos do Fed foram alterados com a divulgação do relatório do Departamento do Trabalho na sexta­feira, que mostrou que apenas 38 mil novas vagas foram criadas em maio. Pode ser uma exceção ou um sinal de uma desaceleração mais importante na contratação e produção. A cautelosa líder do Fed deixou claro que ela não está inclinada a apostar em uma conclusão ainda.

Novas questões - "Novas questões sobre o cenário econômico foram levantadas pelos dados recentes do mercado de trabalho", disse Yellen nesta segunda-feira. "A redução significativa no ritmo de contratação em abril e maio é um prenúncio de uma desaceleração persistente na economia mais ampla? Ou os ganhos nos salários mensais voltarão ao ritmo sólido registrado em 2015 e no início deste ano?"

Atenção extra - Yellen disse que ela e seus colegas estarão "se debatendo" com essas e outras perguntas. As autoridades do Fed gostam de dizer que não colocam muita ênfase em nenhum dado específico, mas faz algum tempo que os relatórios mensais de emprego do Departamento do Trabalho ganham atenção extra do banco central.

Pesquisa mensal - É uma das medidas mais completas de atividade econômica produzidas pelo governo ­ uma pesquisa mensal com 146 mil empresas e agências governamentais e mais de 60 mil domicílios. O mercado de trabalho também é fundamental para a estrutura de leitura da economia de Yellen. O Fed tem um mandato do Congresso para buscar o "pleno emprego", o que significa quantos empregos forem possíveis sem acionar a inflação, e preços estáveis.

Prioridade - Yellen tornou prioridade o aumento do número de vagas, acreditando que, enquanto isso, a baixa inflação começaria a subir em direção da meta de 2% do Fed.

Elevação - O Fed elevou os juros de curto prazo em 0,25 ponto percentual, para entre 0,25% e 0,5%, em dezembro. Em abril, as autoridades do banco central estabeleceram três referências para novos aumentos: 1) aceleração do crescimento econômico no segundo trimestre, depois de um primeiro trimestre desapontador; 2) continuidade da melhora do mercado de trabalho; e 3) sinais de que a inflação está aumentando. O relatório de emprego de maio levantou dúvidas sobre se a economia está atingindo os dois primeiros fatores. Yellen e outras autoridades do Fed têm enfatizado desde a divulgação do relatório de sexta­feira que elas ainda acreditam que os juros subirão gradualmente. Elas só não têm certeza o quão gradual isso será.

Política monetária - "O que é certo é que a política monetária não está em um curso pré­definido", disse Yellen. "O [Fed] reagirá aos novos dados e reavaliará riscos para melhor atingir nossos objetivos." Yellen também disse que um número de incertezas "consideráveis e inevitáveis" poderiam afetar o cenário econômico e a trajetória dos juros, incluindo o crescimento global apático, fracos investimentos corporativos, pequeno avanço na produtividade americana e incertezas sobre o cenário da inflação.

Incertezas - "As incertezas são consideráveis e caminham em direção aos nossos objetivos, consequentemente, as medidas apropriadas de política monetária dependerão de como essas incertezas vão evoluir", disse ela. "Na verdade, o caminho da política [monetária] que eu e meus colegas julgamos mais provável para obter e manter o máximo de emprego e a estabilidade de preços mudou e continuará mudando em resposta aos desenvolvimentos que alteram nosso cenário econômico e os riscos associados a esse cenário", disse ela.

Expansão econômica - Em uma observação positiva, Yellen disse esperar que a expansão econômica continue, ressaltando que o progresso geral do mercado de trabalho tem sido "bastante positivo", a renda familiar está crescendo, o setor imobiliário está forte e a política fiscal agora está impulsionando a economia e deixou de ser um obstáculo.

Projeções - As autoridades do Fed fornecerão projeções econômicas atualizadas quando se encontrarem na próxima semana. Yellen disse que elas poderão ser diferentes das mais recentes projeções divulgadas em março. "Falando em meu nome, embora a economia recentemente tenha sido afetada por uma mistura de forças que se compensam, vejo boas razões para esperar que as forças positivas que apoiam o crescimento do emprego e a inflação mais alta continuarão a superar as negativas", disse ela.

Fonte: Portal Paraná Cooperativo

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