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Internacional

Dívida pública global deve superar 100% do PIB antes de 2030, alerta FMI

Kristalina Georgieva aponta energia cara e inflação persistente como riscos ao crescimento e defende ajuste fiscal e independência dos bancos centrais


Publicado em: 07/10/2026 às 19:00hs

Dívida pública global deve superar 100% do PIB antes de 2030, alerta FMI

A dívida pública global deve ultrapassar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial antes de 2030, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Atualmente, o endividamento dos governos equivale a cerca de 95% da produção anual da economia mundial, em um cenário marcado por custos elevados de energia, inflação persistente e pressão sobre os juros.

O alerta foi feito nesta quarta-feira (7) pela diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, em Cingapura. Ao antecipar os temas das Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, previstas para a próxima semana em Bangcoc, ela também reforçou a defesa da independência dos bancos centrais e da estabilidade de preços como prioridade da política monetária.

Segundo Georgieva, a combinação de endividamento elevado e condições econômicas adversas exige maior atenção dos governos à trajetória das contas públicas.

Endividamento exige planos para reduzir déficits

De acordo com o FMI, a dívida pública global está no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial. As economias avançadas, com destaque para os Estados Unidos, estão entre as que apresentam os maiores níveis de endividamento em relação ao tamanho de suas economias.

Para Georgieva, os governos já não podem depender apenas de uma aceleração do crescimento para melhorar a situação fiscal. A diretora-gerente defendeu planos de médio prazo para reduzir déficits nos países altamente endividados, acompanhados de medidas imediatas quando necessário.

O custo do serviço da dívida também integra o conjunto de pressões sobre as contas públicas, ao lado do aumento dos gastos com defesa.

Petróleo e diesel mantêm pressão sobre a economia

A energia permanece entre os principais riscos para a atividade mundial. Segundo Georgieva, a guerra no Oriente Médio provocou um choque negativo na oferta, enquanto a demanda continua forte.

A diretora-gerente afirmou que o petróleo permanece próximo de US$ 100 por barril e que os danos à capacidade de refino aumentaram as margens sobre derivados, como o diesel. A chegada do inverno no Hemisfério Norte pode ampliar a pressão, diante do crescimento sazonal da demanda por energia.

O abastecimento de gás natural também enfrenta restrições relacionadas aos riscos para o transporte de gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz. Conforme Georgieva, os contratos futuros do petróleo Brent sinalizam preços elevados até 2027.

Esse cenário pressiona a inflação, os juros e os rendimentos dos títulos públicos, dificultando o equilíbrio entre controle de preços e expansão econômica.

FMI prepara revisão das projeções de crescimento

As novas estimativas do Fundo serão divulgadas durante as reuniões anuais da próxima semana. Segundo Georgieva, as projeções devem trazer revisões para baixo no crescimento de economias diretamente atingidas por conflitos, incluindo a Ucrânia e países do Golfo.

Na atualização de julho, o FMI previa expansão de 3% para a economia mundial em 2026 e de 3,4% em 2027.

Além da energia cara e do endividamento, a diretora-gerente mencionou riscos associados ao avanço dos investimentos em inteligência artificial entre os fatores que exigem acompanhamento.

Inflação persistente pode prolongar juros restritivos

Georgieva destacou que as pressões inflacionárias continuam após cinco anos e meio de inflação acima das metas dos bancos centrais.

Além de energia e alimentos, ela citou tarifas comerciais, gastos com defesa e custos mais altos do serviço da dívida entre os elementos que mantêm o ambiente econômico pressionado.

Na avaliação da diretora-gerente, muitos países podem precisar preservar uma política monetária “prudentemente restritiva” para conter a inflação.

Independência dos bancos centrais é prioridade

Durante uma conversa após o discurso em Cingapura, Georgieva afirmou que o FMI apoia firmemente a independência dos bancos centrais. Para ela, a principal tarefa dessas instituições no cenário atual é assegurar a estabilidade de preços.

A diretora-gerente também criticou possíveis intervenções monetárias destinadas a facilitar o financiamento dos governos. Ao se referir a autoridades que poderiam agir para aliviar a pressão sobre as contas públicas, utilizou a expressão “cowboys monetários”.

“Minha mensagem é: por favor, não façam isso”, afirmou.

A posição do Fundo reforça a defesa de que o enfrentamento do endividamento ocorra por meio de políticas fiscais, preservando a autonomia das autoridades monetárias para controlar a inflação.

Fonte: Portal do Agronegócio

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