Publicado em: 01/03/2024 às 11:50hs
Ao mesmo tempo em que surgem oportunidades de fornecimento, o cenário de demanda também melhora, como aumento da atividade industrial em todo o mundo, potencialmente impulsionando o consumo de propano, especialmente na Ásia.
Atualmente, os preços spot em Mont Belvieu, o centro do comércio de propano, estão sendo negociados a níveis mais altos do que no mesmo período do ano passado, impulsionados pelas baixas temperaturas de janeiro, que aumentaram a demanda por aquecimento e pressionaram os estoques. No entanto, alguns desafios surgem no horizonte. A demora nos cortes das taxas de juros nos EUA pode afetar a velocidade da recuperação da atividade manufatureira, enquanto a OPEP+ deve aumentar gradualmente sua produção no segundo semestre de 2024, o que pode afetar o suporte atual dos preços do petróleo bruto, que está correlacionado com os preços do propano.
O propano é um dos combustíveis mais comuns no mundo e seu uso varia amplamente, sendo empregado tanto no aquecimento e resfriamento de residências quanto no setor industrial.
“Além disso, é utilizado nos setores petroquímicos, uma vez que o propileno, derivado do propano, é um ingrediente fundamental na produção de plásticos utilizados em diversos setores, como automotivo, construção, têxtil e outros. Como uma parte do propano global é produzida a partir de processos de extração e refino de petróleo, as decisões tomadas pela OPEP+ afetam o fornecimento desse produto. Além disso, o aumento significativo na produção de petróleo e gás natural nos Estados Unidos levou a um aumento substancial em seu fornecimento, resultando em níveis recordes de estoques no país durante grande parte de 2023”, explica Victor Arduin, analista de Energia e Macroeconomia da hEDGEpoint Global Markets.
“Devido aos recentes acontecimentos no complexo energético, vamos examinar os fatores que afetaram esse produto e traçar um cenário para possíveis desenvolvimentos nos próximos meses”, prossegue.
energia
Muito se fala sobre os impactos no mercado de petróleo quando a OPEP+ realiza ações de restrição de oferta. Entretanto, por trás desses movimentos, há um impacto profundo no mercado de produtos refinados, sendo a produção de propano um excelente exemplo.
Com menos petróleo sendo fornecido pelos países da OPEP+, cujo processo de extração também resulta na produção de propano, as empresas americanas tiveram a oportunidade de aumentar suas exportações, crescendo em média 14%, ou seja, cerca de 1,6 milhão de bpd, ao longo de 2023.
“Por um lado, há uma oportunidade se abrindo no lado da oferta; por outro lado, a perspectiva de demanda é bastante promissora. A atividade manufatureira, intimamente associada à demanda de propano, está se recuperando, conforme evidenciado pelos dados mais recentes do PMI dos Estados Unidos, 49,1 (+2), e da Europa, 46,6 (+2,2). Além disso, espera-se que a Ásia, o principal destino das exportações de propano dos EUA devido a seus complexos petroquímicos, se beneficie de um ambiente monetário menos restritivo em 2024”, observa o analista.
Por enquanto, as exportações de propano desde o início deste ano apresentaram um crescimento modesto (+1%) em comparação com o ano passado, mas isso se deve aos desafios de transporte impostos pelo menor volume de água no Lago Gatun, o que reduziu significativamente o comércio na região, uma rota importante para a comercialização americana de GLP para a Ásia.
Embora os estoques de propano tenham permanecido em níveis recordes durante grande parte de 2023, como resultado do forte aumento na produção, o clima nos lembra como o complexo energético pode ser volátil e como seus fundamentos podem mudar rapidamente.
“Devido ao frio intenso nos Estados Unidos em janeiro, houve um aumento significativo na demanda por aquecimento. Além disso, as baixas temperaturas que afetaram o país interromperam a produção de petróleo e gás natural em muitas regiões, fizeram com que os estoques do país despencassem rapidamente, caindo de aproximadamente 81 milhões de barris de propano/propileno no início do inverno para aproximadamente 55 milhões de barris (-35%) em 16 de fevereiro”, afirma.
E segue: “Obviamente, essas mudanças impactaram os preços spot do propano em Mont Belvieu, onde os preços estão em média 4,15% mais altos (um aumento de 11% em comparação com a média de 5ª nos) do que aqueles comparados a 2023”.
Contudo, o principal fator altista para o propano - o clima - assume uma direção de baixa à medida que nos aproximamos do fim do inverno, reduzindo a necessidade de aquecimento. Entretanto, há outros fatores importantes que podem afetar o preço do propano. Logo, a OPEP+ pode ter uma influência significativa nos próximos meses.


Apesar de uma perspectiva promissora para a demanda de propano, a produção de petróleo e gás natural nos Estados Unidos vem experimentando um aumento significativo, levando a uma maior oferta de produtos de GLP.
“Portanto, será importante observar o desempenho do petróleo ao longo de 2024. Se ele conseguir atingir níveis mais altos, isso resultará em custos mais altos para seus produtos refinados, que incluem o propano. Contudo, há desafios significativos no médio prazo”, diz.
Embora o Fed ainda não tenha iniciado o processo de flexibilização de sua política monetária contracionista, as altas taxas de juros da economia americana estão sustentando um dólar forte, o que torna as commodities energéticas mais caras para os detentores de outras moedas, algo baixista para o complexo energético.
“Ainda, a tendência é que o corte de fornecimento da OPEP+ permaneça em vigor, mas espera-se que ele seja gradualmente revertido entre o terceiro e o quarto trimestres deste ano. Portanto, no médio prazo os preços do propano deverão convergir para níveis menores do que os atuais”, conclui.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets
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