Publicidade
Internacional

Déficit comercial dos EUA sobe 13,7% em agosto e chega a US$ 105,6 bilhões

Importações crescem mais que exportações diante da demanda interna aquecida; economistas estimam impacto negativo do comércio sobre o PIB no terceiro trimestre


Publicado em: 06/10/2026 às 11:25hs

Déficit comercial dos EUA sobe 13,7% em agosto e chega a US$ 105,6 bilhões

O déficit comercial dos Estados Unidos atingiu US$ 105,6 bilhões em agosto, alta de 13,7%, impulsionado pelo avanço das importações em ritmo superior ao das exportações. O resultado, divulgado nesta terça-feira (6) pelo Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio e pelo Census Bureau, superou a projeção de US$ 102 bilhões dos economistas consultados pela Reuters.

A ampliação do saldo negativo ocorre em um cenário de consumo elevado e investimentos empresariais em equipamentos. Embora indiquem força da demanda doméstica, as compras externas devem contribuir para que o comércio volte a limitar o crescimento econômico no terceiro trimestre.

Importações alcançam US$ 420,8 bilhões

As importações norte-americanas cresceram 4,3% em agosto, totalizando US$ 420,8 bilhões. Dentro desse montante, as compras de bens avançaram 5,3%, para US$ 342,2 bilhões.

As exportações também aumentaram, mas em menor intensidade. As vendas externas somaram US$ 315,2 bilhões, alta de 1,4%, enquanto os embarques de bens cresceram 2,2%, alcançando US$ 205,7 bilhões.

A diferença entre os ritmos de expansão aprofundou o déficit. Dados divulgados na semana anterior já haviam apontado uma deterioração do saldo comercial de bens, associada ao aumento das importações.

Consumo e investimentos sustentam demanda por produtos externos

No segundo trimestre, a demanda interna dos Estados Unidos cresceu no ritmo mais acelerado em mais de três anos e meio. O movimento refletiu gastos elevados dos consumidores e investimentos das empresas em equipamentos, especialmente aqueles relacionados à inteligência artificial.

Os indicadores disponíveis para o terceiro trimestre sugerem continuidade dessa tendência. Dados referentes a agosto mostraram força no consumo, além de encomendas e remessas de bens de capital não ligados à defesa, excluindo aeronaves.

Para atender a essa demanda, as empresas mantiveram o uso de produtos importados. O avanço das compras externas ocorreu mesmo com as tarifas adotadas pelo presidente Donald Trump, apresentadas por ele como uma ferramenta para reduzir o déficit comercial.

Comércio pode retirar até 2,5 pontos percentuais do crescimento

Após contribuir negativamente para o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos por três trimestres consecutivos, o comércio exterior pode voltar a pesar sobre o desempenho econômico entre julho e setembro.

Economistas estimam que essa contribuição negativa possa chegar a 2,5 pontos percentuais no terceiro trimestre. Ainda assim, as projeções de crescimento para o período permanecem, em sua maioria, acima de 3% em taxa anualizada.

A expectativa é que os gastos dos consumidores compensem o efeito negativo do saldo comercial. No segundo trimestre, a economia norte-americana cresceu a uma taxa anualizada de 2,2%.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias