Publicado em: 09/07/2024 às 10:00hs
Um estudo abrangente conduzido pela Coface revela que o setor agroalimentar global enfrenta um ano de significativos desafios, impulsionados por fatores climáticos adversos como o fenômeno La Niña, que sucede o El Niño, além de incertezas econômicas e geopolíticas. A análise ressalta que o Brasil não está imune a essas condições, com uma projeção de queda de 7% na produção de grãos em comparação à safra anterior, resultando em uma colheita estimada em 297,5 milhões de toneladas. As enchentes no Rio Grande do Sul adicionam uma camada adicional de incerteza ao cenário nacional.
Simon Lacoume, economista especializado da Coface, prevê uma redução de 2% na produção mundial de cereais como milho, soja e trigo neste ano, comparado a um crescimento de 1% em 2023. A volatilidade persistente nos preços das commodities agrícolas é antecipada, com exceção dos preços da carne, que devem permanecer em níveis elevados.
O economista destaca a transição para o La Niña, um evento meteorológico que promete trazer chuvas abundantes para algumas regiões, mas também aumentar o risco de enchentes, potencialmente devastadoras para plantações e infraestruturas nas Américas, Austrália e África do Sul. Além disso, Lacoume alerta para os desafios no comércio internacional, especialmente os custos elevados de transporte marítimo, impulsionados por recentes interrupções logísticas e aumento na demanda por contêineres da Ásia.
Na América Latina, Patricia Krause, economista da Coface para a região, prevê um crescimento econômico modesto de 1,7% este ano. Ela enfatiza que o setor agrícola enfrentará desafios adicionais, como juros reais elevados e preços das commodities relativamente menores em comparação a 2023. As condições climáticas imprevisíveis, incluindo a transição do El Niño para o La Niña, acrescentam uma camada extra de incerteza para a região.
O estudo da Coface também sublinha os desafios impostos pela situação geopolítica global, incluindo a prolongada guerra na Ucrânia e tensões no Oriente Médio, que afetam os suprimentos de grãos em regiões como África Oriental, Irã e Paquistão. A iminente Lei Antidesmatamento da União Europeia também é um fator crítico, visando proteger as florestas globais e influenciar cadeias de abastecimento de produtos agrícolas.
As exportações de agroalimentos continuam desempenhando um papel crucial na economia latino-americana, representando uma parte substancial do total exportado por países como Brasil, Argentina e México. Esses produtos são vitais para as economias locais, contribuindo significativamente para o PIB regional.
Diante desses desafios, o setor agroalimentar global e latino-americano enfrenta um cenário complexo que exige adaptação e resiliência. As próximas decisões e políticas, tanto a nível nacional quanto internacional, serão cruciais para mitigar os impactos e aproveitar as oportunidades emergentes neste ambiente dinâmico.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias