Internacional

China amplia compras de soja da América do Sul e reduz dependência dos EUA em 2025

Participação dos Estados Unidos no mercado chinês cai para 15%, enquanto Brasil e Argentina ganham espaço com embarques recordes e aumento expressivo nas exportações


Publicado em: 20/01/2026 às 13:40hs

China amplia compras de soja da América do Sul e reduz dependência dos EUA em 2025
Foto: APPA - Paranaguá
América do Sul domina o mercado de soja na China

A China reforçou em 2025 sua posição como principal destino da soja sul-americana, elevando a participação de Brasil e Argentina e reduzindo a fatia dos Estados Unidos em seu mercado.

Dados divulgados nesta terça-feira (20) pela Administração Geral de Alfândega da China mostram que os EUA responderam por apenas 15% das importações chinesas no ano passado — uma queda expressiva em relação aos 21% de 2024.

A retração foi resultado da suspensão temporária dos embarques norte-americanos desde setembro, o que levou os importadores chineses a buscar alternativas mais competitivas no Brasil e na Argentina.

Brasil amplia liderança no fornecimento de soja para a China

O Brasil consolidou-se como o maior fornecedor de soja do mundo e ampliou sua participação no mercado chinês, que passou de 71% em 2024 para 73,6% em 2025.

Os embarques brasileiros cresceram 10,3% no ano, alcançando 82,32 milhões de toneladas, um novo recorde histórico.

Além do volume recorde, o bom desempenho brasileiro foi impulsionado por uma safra abundante e preços competitivos, fortalecendo a posição do país como parceiro estratégico da China no comércio agrícola.

Argentina dobra exportações e ganha espaço

A Argentina também se beneficiou da reconfiguração do mercado, ampliando sua participação de 4% para 7% em apenas um ano.

As exportações argentinas para a China saltaram 92,4%, somando 7,89 milhões de toneladas em 2025.

O aumento foi impulsionado pela retomada do processamento e maior oferta de soja disponível para exportação, especialmente no segundo semestre do ano.

EUA perdem espaço, mas retomam embarques após trégua comercial

Apesar da forte queda, os Estados Unidos retomaram gradualmente o comércio de soja com a China após uma trégua firmada no fim de outubro, segundo o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

O compromisso chinês prevê a compra de até 12 milhões de toneladas de soja norte-americana até fevereiro de 2026.

Em dezembro, a agência Reuters informou que seis navios graneleiros estavam programados para carregar soja em portos da Costa do Golfo dos EUA com destino à China, enquanto outro, o Ocean Harvest, já estava a caminho do porto de Zhangjiagang, previsto para chegar em cerca de uma semana.

Importações recordes reforçam demanda chinesa

A China registrou em 2025 o maior volume de importações de soja da história, totalizando 111,83 milhões de toneladas, um aumento de 6,5% em relação a 2024.

Em dezembro, os embarques de soja brasileira cresceram 92,5%, alcançando 5,66 milhões de toneladas, enquanto os argentinos dispararam 524,7%, chegando a 1,65 milhão de toneladas.

No mesmo mês, as importações de soja dos EUA caíram a zero, marcando o quarto mês consecutivo sem compras do país norte-americano.

Reconfiguração global do comércio da oleaginosa

O avanço de Brasil e Argentina no mercado chinês reflete uma mudança estrutural nas rotas globais da soja, impulsionada por fatores geopolíticos, logísticos e de preço.

Enquanto os Estados Unidos enfrentam desafios comerciais e pressões tarifárias, a América do Sul consolida sua liderança como principal fornecedora mundial da oleaginosa, com destaque para o papel estratégico do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --