Publicado em: 20/01/2026 às 10:45hs
O Acordo de Associação entre Mercosul e União Europeia, assinado no sábado (17) em Assunção, no Paraguai, representa um marco histórico na integração econômica do Brasil com o mundo.
Segundo um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o tratado amplia de 8% para 36% o alcance do Brasil no comércio global, considerando que a União Europeia foi responsável por 28% das trocas internacionais em 2024.
A análise mostra que a formalização do acordo é uma virada estratégica para a indústria brasileira, ampliando o acesso a novos mercados e fortalecendo a competitividade do país.
De acordo com a CNI, 54,3% dos produtos exportados pelo Mercosul – o equivalente a mais de 5 mil itens – terão tarifas zeradas imediatamente após o início da vigência do acordo.
No sentido oposto, o Brasil e os demais países do bloco sul-americano terão entre 10 e 15 anos para reduzir as tarifas de 44,1% dos produtos importados (cerca de 4,4 mil itens), garantindo transição gradual e previsível.
Na média, o Brasil terá oito anos a mais que a União Europeia para se adaptar às reduções tarifárias, o que assegura tempo para ajustes na produção e na competitividade da indústria nacional.
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo é considerado o mais amplo e moderno já firmado pelo Mercosul, indo além da eliminação de tarifas.
O texto inclui regras de transparência, facilitação de investimentos, inovação e sustentabilidade, criando um ambiente mais seguro para negócios e geração de empregos.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a assinatura é um passo decisivo para reposicionar o Brasil no comércio internacional.
“O acordo é a decisão comercial mais importante para a indústria brasileira em décadas. Ele garante acesso imediato ao mercado europeu, tempo de adaptação para a indústria nacional e reposiciona o país em um cenário de diversificação de parceiros”, afirmou Alban.
Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações brasileiras para a União Europeia passarão a entrar no bloco sem tarifas assim que o acordo entrar em vigor.
Por outro lado, o Brasil zerará de imediato apenas 15,1% das importações europeias, o que demonstra vantagem competitiva para o país.
Além disso, apenas 0,9% das exportações nacionais terão que aguardar dez anos para atingir tarifa zero, enquanto 56,7% das importações europeias só serão isentas após uma década ou mais.
No agronegócio, as cotas negociadas foram consideradas altamente positivas. No caso da carne bovina, o volume concedido pela União Europeia é mais que o dobro do oferecido ao Canadá e quatro vezes maior que o destinado ao México. Já as cotas de arroz superam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco, ampliando o potencial de acesso do setor agrícola.
O tratado cria novas oportunidades de cooperação entre Brasil e Europa em áreas como sustentabilidade, descarbonização industrial e inovação tecnológica.
Entre as frentes de destaque estão:
Essas iniciativas reforçam o compromisso com uma economia de baixo carbono e ajudam a modernizar o parque industrial brasileiro, tornando-o mais competitivo no cenário internacional.
Com o novo acordo, espera-se um aumento expressivo dos investimentos europeus no Brasil, principalmente nos setores industrial, químico, automotivo e de equipamentos.
Historicamente, países como Alemanha, França, Suécia e Itália foram fundamentais na consolidação da base industrial brasileira, e o novo tratado deve reativar essas parcerias após anos de estagnação.
A CNI acredita que a retomada do fluxo de capital e tecnologia pode gerar novas cadeias produtivas e impulsionar a produtividade nacional.
Durante todo o processo de negociação, a Confederação Nacional da Indústria participou ativamente da construção de um consenso no setor produtivo, por meio da Coalizão Empresarial Brasileira (CEB).
A entidade lançou o Manual do Acordo de Parceria Mercosul–UE e a Cartilha sobre o Regime de Origem, materiais que explicam os compromissos firmados e orientam as empresas sobre como aproveitar os benefícios tarifários previstos no tratado.
Em 2024, a União Europeia foi o segundo maior parceiro comercial do Brasil, destino de US$ 48,2 bilhões em exportações – 14,3% do total. O bloco também respondeu por US$ 47,2 bilhões em importações, o equivalente a 17,9% do total brasileiro.
O comércio entre os blocos é fortemente industrializado:
Além disso, a UE foi responsável por 31,6% do estoque de investimento estrangeiro no Brasil em 2023, somando US$ 321,4 bilhões. O Brasil, por sua vez, foi o maior investidor latino-americano no bloco europeu, com 63,9% dos investimentos externos brasileiros destinados à região.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias