Publicado em: 22/01/2026 às 19:20hs
Após 25 anos de negociações, o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi finalmente assinado em 17 de janeiro de 2026, criando a maior área comercial do planeta. O pacto, que elimina tarifas em mais de 90% dos produtos, envolve um mercado conjunto de 718 milhões de consumidores e representa quase 20% do PIB global, estimado em US$ 22,4 trilhões.
A União Europeia (UE), segundo principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, busca reduzir a dependência da China, responsável por 34% das vendas externas do setor. Em 2025, o bloco europeu respondeu por 15% da receita das exportações agropecuárias do Brasil.
O acordo prevê a eliminação gradual das tarifas em um processo de até 15 anos para o Mercosul e 12 anos para a UE. O Mercosul reduzirá tarifas sobre 91% dos produtos europeus, enquanto o bloco europeu zerará tarifas sobre 95% dos bens sul-americanos.
Setores industriais como máquinas, automóveis, químicos e aeronaves terão acesso imediato ao comércio livre de tarifas, o que deve estimular investimentos e aumentar a competitividade bilateral.
Para o setor agropecuário, produtos considerados sensíveis na UE — como carne bovina, frango, açúcar, arroz e etanol — terão cotas limitadas com tarifas reduzidas dentro dos volumes acordados. Essas cotas serão ampliadas gradualmente, equilibrando o acesso do Mercosul com a proteção aos produtores europeus.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 25 bilhões em produtos agro para a União Europeia, principalmente café, soja, farelo, celulose e suco de laranja, que representaram 69% da receita. Com o novo acordo, 91% das exportações brasileiras ao bloco europeu terão tarifas eliminadas, frente aos 24% anteriores.
No caso das carnes, o acordo amplia cotas e reduz tarifas:
O setor cafeeiro também será beneficiado, com eliminação total das tarifas em até quatro anos. Atualmente, o café solúvel paga 9% e o torrado e moído 7,5%. A medida deve aumentar a competitividade do Brasil frente ao Vietnã e estimular o consumo europeu.
As frutas terão liberalização mais ampla. Produtos como uvas terão tarifa zerada de imediato, enquanto abacates, limões, melões, maçãs e melancias terão prazos de redução tarifária entre 4 e 10 anos.
Do lado das importações, a União Europeia respondeu por 20% dos produtos agropecuários importados pelo Brasil em 2025, totalizando US$ 3,9 bilhões. O bloco é o principal fornecedor de azeite de oliva, vinhos e chocolates, que hoje pagam tarifas de até 35%.
Com o novo acordo, essas tarifas serão zeradas, favorecendo o comércio de produtos premium e ampliando o consumo no Mercosul.
O acordo inclui uma cláusula de salvaguarda agrícola que permite à União Europeia reintroduzir tarifas temporárias caso as importações do Mercosul ultrapassem 5% dos volumes estabelecidos ou causem queda de 5% nos preços internos.
Essa medida busca proteger setores agrícolas vulneráveis, especialmente em países como França e Irlanda, que exerceram forte pressão política para incluir o mecanismo. Para o Mercosul, isso representa um risco de incerteza nas exportações, reforçando a necessidade de diversificação de mercados e agregação de valor.
Apesar da assinatura, o acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais. No caso brasileiro, o texto será analisado pelo Congresso Nacional. Há possibilidade de o acordo entrar em vigor bilateralmente entre o Brasil e a UE, caso ambos finalizem seus trâmites antes dos demais países do Mercosul.
A aprovação pode enfrentar resistência de setores agrícolas e ambientalistas europeus, preocupados com os impactos ambientais e a competitividade.
Especialistas avaliam que o acordo não trará impacto imediato no volume exportado, mas representa um marco estratégico de longo prazo. Ele deve aumentar a previsibilidade, atrair investimentos e fortalecer a posição do Mercosul como fornecedor confiável e sustentável.
Por outro lado, o cumprimento das exigências ambientais da União Europeia, como rastreabilidade, combate ao desmatamento e padrões socioambientais, deve elevar os custos de produção e demandar adaptações tecnológicas no agronegócio regional.
O Acordo Mercosul–União Europeia marca um novo ciclo de integração econômica. Mais do que um impulso imediato às exportações, ele cria uma base sólida para o reposicionamento competitivo do Mercosul e a diversificação de seus mercados.
O sucesso do pacto dependerá da coordenação entre políticas públicas, investimentos privados e compromissos ambientais, garantindo que o agronegócio regional aproveite plenamente as oportunidades abertas pela nova era comercial.
Fonte: Portal do Agronegócio
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